Morte do general Soleimani pelos EUA pode abrir as portas para a reemergência do Estado Islâmico

Soleimani (dir.) na Síria

Deu no site Politico mais um efeito colateral do assassinato do general Soleimani a mando dos EUA: a volta do Estado Islâmico.

Ontem escrevi sobre o papel dele na guerra contra os radicais — ao lado do americanos.

Segundo o Politico, o ataque que matou o militar iraniano “pode colocar em risco a luta dos Estados Unidos contra o Estado Islâmico, abrindo as portas para o ressurgimento do grupo terrorista”.

Segue:

O ataque de quinta-feira à noite ao comandante da Força Quds, Qassem Soleimani, também pode levar o governo do Iraque a expulsar as tropas dos EUA, encerrando a missão de treinar as forças armadas iraquianas para combater grupos terroristas.

As tropas dos EUA estão no Iraque desde 2014 para combater o EI e treinar forças iraquianas com a permissão do governo iraquiano.

Como parte desse acordo, o Iraque pediu especificamente aos EUA que não visassem o Irã dentro do país, um pedido que os EUA violaram “de maneira flagrante” com o ataque a Soleimani perto do aeroporto de Bagdá, disse Scott Anderson, ex-consultor jurídico da Embaixada em Bagdá. (…)

O parlamento iraquiano deve se reunir no domingo em uma sessão de emergência para discutir o ataque aéreo, que o primeiro-ministro chamou de violação da soberania, informou a Reuters.

Cerca de 5 mil soldados americanos foram enviados para o Iraque. Se Bagdá pedir que essas forças americanas se retirem, eliminará a base de onde os EUA lançaram sua luta contra o Estado Islâmico. Embora o grupo terrorista tenha perdido a maior parte do território que já ocupou, estabeleceu recentemente uma pequena base no norte do Iraque, composta por combatentes que cruzam a fronteira da Síria, informou a NBC News em novembro.

Soldado iraniano homenageia o mártir Soleimani

A crescente tensão entre os EUA e o Iraque pode enfraquecer o relacionamento que os dois países construíram nos últimos anos enquanto trabalhavam juntos para combater o Estado Islâmico, que ambos viam como um inimigo comum.

“Ambos os lados começarão a pensar em outros inimigos, [incluindo] … um ao outro”, afirma Daniel Byman, um membro sênior do Centro de Política para o Oriente Médio da Brookings Institution.

“Parte do que os uniu é a sensação de que o EI é um perigo para ambos”. (…)

“Se não pudermos estar no Iraque, não poderemos estar na Síria”, diz Barbara Slavin, diretora da Future Iran Initiative no Atlantic Council, na sexta-feira, porque o Iraque é o principal ponto da América a partir do qual lança missões na Síria. (…)

Treinar soldados iraquianos para combater terroristas por conta própria é outra parte importante da missão da América no país e que também seria prejudicada pela retirada das tropas americanas.

Quando as tropas dos EUA deixaram o Iraque em 2011, as forças iraquianas se deterioraram rapidamente, a ponto de o Estado Islâmico aumentar sua presença no país. (…)

“O governo iraquiano está furioso com esta decisão de realizar um ataque em seu solo”, diz Christopher Preble, vice-presidente de estudos de defesa e política externa do Instituto Cato.

“Estou bastante preocupado com a segurança do pessoal dos EUA, incluindo civis e diplomatas, dentro do Iraque”.

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