Coleta de lixo é paralisada após morte de gari atropelado em SP

Atualizado em 28 de julho de 2026 às 10:04
Veículo próximo a caminhão de coleta em rua de São Paulo
Veículo próximo a caminhão de coleta em rua de São Paulo. Foto: Reprodução

Equipes de coleta de lixo paralisaram atividades em bairros de São Paulo desde segunda-feira (27) após a morte do gari Diêgo Rafael da Silva, de 19 anos, atropelado por Guofang Huang na Barra Funda, zona oeste da capital, na noite de domingo (26). O motorista, um chinês, estava embriagado.

A interrupção atingiu inicialmente partes das zonas norte e oeste. A Loga, concessionária responsável pela coleta e gestão de resíduos domiciliares e de saúde na região noroeste, afirmou que a paralisação ocorreu “devido à comoção gerada pelo falecimento do colaborador Diego Rafael da Silva”.

A empresa informou que as equipes deixaram de fazer a coleta comum e de recicláveis nas vias atendidas pela frequência de segunda-feira (27), no período noturno. Na mesma noite, a concessionária montou uma força-tarefa emergencial nas principais avenidas para tentar cumprir o cronograma.

Na operação diurna desta terça-feira (28), todas as equipes previstas saíram normalmente, segundo a Loga. A concessionária disse que os serviços impactados devem voltar gradualmente e que a normalização deve ocorrer até quarta-feira (29).

Guofang Huang e Diego Rafael da Silva. Foto: reprodução

Atropelamento ocorreu durante a coleta na Barra Funda

A Loga atende bairros como Perus, Jaraguá, Pirituba, Freguesia do Ó, Brasilândia, Santana, Mooca, Sé e Pinheiros. A companhia afirmou que nem todas as regiões cobertas pela concessionária sofreram impacto com a paralisação.

Diêgo trabalhava na coleta na rua do Bosque, por volta das 22h40, na altura do número 980. O caminhão estava parado enquanto os garis recolhiam lixo da caçamba, e o jovem ocupava o lado esquerdo da parte traseira quando o carro dirigido pelo empresário Guofang Huang, de 53 anos, o atingiu.

Com o impacto, Diêgo acabou arremessado para a frente do caminhão. Ele estava na função havia dois meses, desde maio, era casado, deixou uma filha de 1 ano e 3 meses e a esposa grávida.

O boletim de ocorrência aponta que Huang não parou após o atropelamento e saiu do local. Um motoboy que presenciou a cena o seguiu, e o empresário retornou ao endereço depois. O teste do bafômetro marcou 0,73 mg/l de álcool por litro de ar alveolar, acima do limite de 0,34 mg/l, considerado crime. Diêgo chegou a receber socorro, mas morreu no hospital.

Huang passou por audiência de custódia e teve a prisão convertida em preventiva, sem prazo definido. Os advogados Lucas Quintela e Jéssica Narjara Camillis, que representam o empresário, afirmaram que a Constituição assegura “o direito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência” e disseram que a defesa não comentará o mérito dos fatos neste momento.

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