Mortes causadas pela polícia de Tarcísio aumentam em SP em 2025

Atualizado em 30 de janeiro de 2026 às 18:23
Policiais de SP. Foto: Divulgação

O estado de São Paulo registrou queda nos homicídios em 2025, mas voltou a apresentar aumento nas mortes provocadas por policiais, segundo dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública. O balanço se refere ao terceiro ano do mandato do governador Tarcísio de Freitas e também aponta alta nos furtos e redução nos roubos.

Ao longo do ano, foram contabilizadas 2.527 vítimas de homicídio doloso no estado, o equivalente a um assassinato a cada três horas e meia. O número representa queda de 3,9% em relação a 2024. A taxa estadual chegou a 5,46 mortes por 100 mil habitantes, o menor patamar desde o início da série histórica, em 2001.

Trata-se da terceira redução consecutiva dos homicídios em São Paulo. A tendência de queda, observada a partir de 2013, havia sido interrompida nos anos de 2020 e 2022. Em nível nacional, o Brasil também apresenta retração contínua há nove anos, com taxa de 17,1 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Na capital paulista, porém, o movimento foi inverso. A cidade de São Paulo registrou 530 homicídios em 2025, alta de 6,4% em comparação com o ano anterior, encerrando uma sequência de quatro anos de melhora nos indicadores.

Os feminicídios atingiram recorde no estado, com 270 vítimas, aumento de 6,7% em relação a 2024. Na capital, foram 60 casos, crescimento de 22,4%, também o maior número desde o início da série, em 2018.

Manifestantes prestam homenagem aos mortos durante a 5ª Caminhada do Silêncio pelas Vítimas de Violência de Estado, realizada em abril de 2025. Foto: Divulgação

Para o pesquisador sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Leonardo Silva, a redução dos homicídios decorre de múltiplos fatores. Ele cita o monopólio territorial do Primeiro Comando da Capital, políticas de prevenção e investigação e mecanismos informais de mediação de conflitos. Ainda assim, pondera que o peso de cada variável é difícil de medir.

“O fato é que, ao longo dos anos, a estrutura de polícia judiciária em São Paulo não melhorou. A Polícia Civil está cada vez mais sucateada, e isso impacta a capacidade de solucionar crimes, inclusive homicídio”, afirmou Silva. “É um conjunto de fatores que compõem um ecossistema.”

Estudos do Ipea também apontam um componente demográfico. O envelhecimento da população tende a reduzir a violência letal, já que jovens e adolescentes concentram a maior parte das vítimas no país.

Apesar da queda nos homicídios, a letalidade policial voltou a crescer. Em 2025, 834 pessoas morreram em ações envolvendo policiais civis e militares, em serviço ou de folga, 21 a mais que no ano anterior. O último trimestre concentrou 276 mortes, o maior número desde o início da série, em 2015.

Nos crimes patrimoniais, os roubos caíram 16,7% no estado, totalizando cerca de 161 mil registros. Os furtos, por outro lado, subiram 3,6% na capital, enquanto o estado apresentou leve redução. Especialistas alertam para a subnotificação e para a adaptação das quadrilhas, cada vez mais voltadas a golpes digitais a partir do roubo de celulares.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.