Mortes causadas por policiais crescem em 17 estados em 2025

Atualizado em 7 de fevereiro de 2026 às 11:04
Corpos enfileirados após chacina policial no Rio. Foto: reprodução

O número de pessoas mortas em ações policiais aumentou em 17 estados brasileiros ao longo de 2025, segundo levantamento do G1 com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública atualizados na última terça-feira (3). Outros nove estados registraram queda, enquanto o Distrito Federal manteve os mesmos números do ano anterior. No total, o Brasil teve alta de 4,5% na letalidade policial no período.

O caso mais extremo ocorreu em Rondônia, governado por Marcos Rocha (PSD). O estado passou de oito mortes em 2024 para 47 em 2025, um crescimento de 488%. Em números absolutos, a Bahia, de Jerônimo Rodrigues (PT), lidera o ranking nacional, com 1.569 pessoas mortas por policiais. Na sequência aparecem São Paulo, de Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 835 registros, e o Rio de Janeiro, de Cláudio Castro (PL), com 798.

Os dados são informados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública e consolidados pelo ministério. O avanço da letalidade policial contrasta com a tendência geral da violência no país.

Em janeiro, levantamento com a mesma base indicou queda nas mortes violentas pelo quinto ano consecutivo. Entram nessa categoria homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões seguidas de morte. As mortes decorrentes de intervenção policial são contabilizadas separadamente e, em dez anos, cresceram 170%.

Além dos números absolutos, as taxas por 100 mil habitantes chamam atenção. O Amapá, de Clécio Luis (PSOL), lidera com 17,11 mortes, seguido por Bahia, com 10,55, e Pará, de Helder Barbalho (MDB), com 7,28. No Rio de Janeiro, uma megaoperação contra o Comando Vermelho, no fim de outubro, terminou com 121 mortos, sendo 117 suspeitos e quatro policiais, contribuindo para a alta de 13% no estado.

Estado 2024 2025 Variação (%)
AC 10 9 −10%
AL 76 109 +43%
AM 43 44 +2%
AP 137 138 +1%
BA 1.556 1.569 +1%
CE 189 199 +5%
DF 15 15 0%
ES 78 76 −3%
GO 373 364 −2%
MA 76 142 +87%
MG 199 205 +3%
MS 86 59 −31%
MT 214 143 −33%
PA 598 634 +6%
PB 56 61 +9%
PE 68 90 +32%
PI 25 20 −20%
PR 405 426 +5%
RJ 703 798 +14%
RN 91 137 +51%
RO 8 47 +488%
RR 6 4 −33%
RS 141 80 −43%
SC 78 100 +28%
SE 145 193 +33%
SP 813 835 +3%
TO 49 22 −55%

Em Rondônia, o Ministério Público criou um grupo especial para analisar o cenário. Segundo o promotor Pablo Viscardi, o aumento em Porto Velho está ligado a disputas entre facções criminosas, que levaram ao reforço de operações policiais. “A crescente intervenção policial, seja na realização de operações decorrentes de investigações, seja no policiamento ostensivo, aliada à extensão territorial do município, que é um dos maiores do Brasil, ajuda a explicar esse cenário”, afirmou ao G1.

Para o tenente-coronel aposentado da Polícia Militar de São Paulo, Adilson Paes de Souza, os dados revelam a permanência de uma lógica centrada na eliminação de pessoas consideradas indesejadas. “Persiste também a ideia de que não se trata de algo ideológico de uma determinada corrente política. Esquerda e direita navegam nas mesmas águas, apostam na letalidade”, disse. Ele destaca que os estados com maiores índices são governados por diferentes espectros políticos.

Enquanto as mortes causadas por policiais cresceram, as mortes de agentes de segurança caíram 8% em 2025, somando 185 casos. Já os suicídios de policiais recuaram 13%, passando de 151 para 131, embora ainda representem um agente morto a cada três dias no país. “Em resumo, continua matando muita gente, continua morrendo muitos policiais e ninguém está ficando seguro”, afirmou Souza.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.