Mortos por usar turbante: o massacre dos sikhs ontem nos Estados Unidos

Sob o impacto do massacre: o choro do sobrevivente

 

Quando a ignorância se encontra com a violência, o resultado é sempre trágico.

Foi o que aconteceu ontem, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos. Um homem armado entrou num templo sikh dando tiros. Matou seis pessoas e feriu três. Entre os feridos está um dos dois policiais que correram ao local depois de receber um chamado de emergência pelo telefone. O outro policial matou o atirador, identificado como Michael Page, 40 anos, veterano de guerra.

O assassino confundiu sikhs com islâmicos. O 11 de Setembro tatuado em seu corpo não deixou dúvida: foi um crime de ódio. Ele estava enxergando bins Ladens nos fiéis reunidos na gurdwara – o templo sikh.

Os sikhs (síques é a pronúncia) pertencem a uma religião que prega a paz e a moderação há mais de 500 anos. Ela surgiu na Índia como uma variação do hinduísmo, do qual se distingue por não ter castas.

Os sikhs têm sido confundidos com os islâmicos, nos Estados Unidos, porque usam turbantes e têm as barbas longas e a pele escura. A vítima do primeiro crime de ódio nos Estados Unidos no rastro do 11 de Setembro – menos de uma semana depois – foi um sikh.

De lá para cá, centenas de outros crimes contra sikhs foram cometidos. Membros da comunidade calculam em 700 os atentados.

O de ontem foi o pior, mas não é um fato isolado. Líderes sikhs têm tentado informar melhor os americanos sobre quem são e no que acreditam.

Não é fácil. Um vídeo no Youtube mostra estudantes de uma faculdade submetidos a um pequeno teste. São mostradas algumas fotografias de sikhs para os alunos. A primeira pergunta: o que vem à sua cabeça ao ver essas imagens? A resposta mais comum: terrorismo. Nenhum dos universitários tinha a menor idéia do que sejam os sikhs.

Mais uma vez, surge o debate em torno da facilidade com que armas são compradas nos Estados Unidos. É um problema, mas não o maior. Pior que tudo, para voltar à primeira linha deste texto, é a mistura de ignorância e violência tão arraigada na sociedade americana. Uma cultura tão voltada para a guerra como a dos Estados Unidos das últimas décadas uma hora começa a produzir Rambos em série – que acharão vítimas em sessões de Batman ou em templos religiosos.

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