Motim bolsonarista pode custar 2 meses de mandato a Zé Trovão, van Hatten e Pollon

Atualizado em 28 de abril de 2026 às 21:42
O presidente da câmara Hugo Motta, sentado na mesa da presidência, logo após retomar controle do plenário em motim na Câmara, liderado por bolsonaristas.
O presidente da Câmara Hugo Motta, sentado em sua cadeira logo após retomada do comando no plenário. Foto: Foto: Mateus Banomi/Reuters

O relator Moses Rodrigues (União-CE) apresentou parecer no Conselho de Ética da Câmara pedindo a suspensão, por dois meses, dos mandatos de Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC). Os três são acusados de envolvimento no motim que impediu o funcionamento da Câmara por cerca de 30 horas em agosto de 2025.

A votação do relatório está prevista para 5 de maio. A oposição pediu vista do processo, e o julgamento no Conselho de Ética será retomado na próxima semana, quando as defesas dos deputados também devem se manifestar.

Segundo o parecer, Pollon sentou-se na cadeira da presidência da Câmara e impediu o retorno de Hugo Motta (Republicanos-PB) às suas funções. Van Hattem teria ocupado uma cadeira da Mesa Diretora para impedir o acesso do presidente da Casa, enquanto Zé Trovão teria usado o próprio corpo e a perna para bloquear a escada de acesso à Mesa.

Marcos Pollon, Marcel van Hattem e Zé Trovão podem ser suspensos por motim na Câmara dos Deputados.
Os deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC). Fotomontagem

No relatório, Moses Rodrigues afirmou que o direito de oposição não pode virar autorização para inviabilizar o funcionamento da Câmara por meio de ocupação física. “Esta Casa deve impor reprimenda severa”, escreveu o relator, ao defender que a punição seja “justa, adequada e proporcional”.

O motim foi organizado por deputados bolsonaristas para pressionar a Câmara a pautar a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, o fim do foro privilegiado e o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A ocupação ocorreu nos dias 5 e 6 de agosto.

A Mesa Diretora da Câmara já havia enviado ao Conselho de Ética representações contra Pollon, Van Hattem e Zé Trovão em setembro. O parecer da Corregedoria Parlamentar acusou os três de infringir o Código de Ética durante a ocupação do Plenário.

Os deputados negam irregularidades e alegam que seus discursos e posições estão protegidos pela imunidade parlamentar. Outros 11 participantes do motim receberam indicações de punições menores, como advertência por escrito, porque a conduta do trio foi considerada mais grave.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.