Motim da polícia na Argentina pede a saída de Alberto Fernández e remete ao golpe contra Evo Morales

Polícia protesta em Buenos Aires contra Fernández

Publicado no La Politica Online

O levante da Polícia de Buenos Aires gera cada vez mais preocupação.

No kirchnerismo, começaram a denunciar uma tentativa de desestabilizar o governador Axel Kicillof e há quem comece a ver despertar o fantasma do golpe policial contra Evo Morales na Bolívia.

O nível de alerta aumentou acentuadamente ao meio-dia, quando um grande grupo levou o protesto para as portas da Quinta de Olivos, a residência oficial do Presidente, que estava cercada por patrulhas.

Assim, a reclamação passou a ter também Alberto Fernández como destinatário.

Um setor do governo se lembrou de uma anedota esta manhã, quando em um jantar a nomeação de Sergio Berni para o Ministério da Segurança de Buenos Aires foi questionada.

O deputado disse então que Cristina Kirchner queria que o ex-militar controlasse a província de Buenos Aires porque Evo Morales a havia alertado de que o golpe contra ele foi realizado pela Polícia boliviana.

Os protestos contra Moraes acabaram saindo de controle quando os comandos policiais de diferentes departamentos da Bolívia se amotinaram.

O governo de Evo caiu em menos de 48 horas, logo depois que a polícia de La Paz (aquela que protege o palácio presidencial) entrou no quartel.

Uma das promessas de que os setores políticos contrários a Morales fizeram à polícia na época foi a equiparação salarial com os militares.

Motim da polícia na Bolívia no golpe contra Evo Morales

Pouco depois de assumir o governo de Jeanine Áñez, os policiais foram exigir que ela cumprisse essa promessa. Já em 2012, Evo Morales havia denunciado uma tentativa de golpe da direita, acenando com um pedido de salário de policiais de escalão inferior.

Já existem várias figuras do kirchnerismo que falam em uma tentativa de desestabilizar Kicillof e Alberto e lembram o caso da Bolívia.

“É um ensaio muito perigoso em um cenário de demissões promovido pela oposição”, disse o sociólogo Artemio López na quarta-feira. “Visa degradar a figura do governador e do presidente”.

“Acho que existe um plano de desestabilização contra Kicillof e Fernández, não tenho dúvidas”, disse o sindicalista Roberto Baradel, que mencionou especificamente as denúncias sobre policiais do golpe contra Evo Morales.

Também a Corrente dos Trabalhadores Federais (CFT), liderada por Sergio Palazzo, lembrou que “recentemente nossa região sofreu eventos semelhantes com consequências institucionais muito graves, como as que levaram ao golpe na Bolívia”.

Artemio López lembrou também as recentes declarações do advogado e político Eduardo Duhalde e disse que o levante policial “ressignifica as declarações” do ex-presidente.

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