Motta anuncia agenda com tarifa zero e jornada 6×1 para 2026

Atualizado em 21 de fevereiro de 2026 às 21:15
O presidente da câmara dos deputados, Hugo Motta

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), prometeu instalar nos próximos dias uma comissão especial para debater a tarifa zero no transporte público. A iniciativa integra uma estratégia para priorizar pautas de maior apelo popular em 2026 e melhorar a imagem do Legislativo às vésperas das eleições. As informações são da Folha de S.Paulo.

A gratuidade no transporte já é analisada pelos ministérios da Fazenda e das Cidades e pode integrar o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. Motta afirmou a prefeitos e parlamentares que pretende participar do debate após o Carnaval, incluindo a discussão sobre fontes de financiamento.

“Vamos entrar no debate sobre as fontes de financiamento. Aí entra na questão do vale-transporte e de outras fontes rumo à tarifa zero”, disse o deputado Jilmar Tatto (PT-SP), cotado para coordenar o grupo. Entre as alternativas estão a substituição do vale-transporte por contribuição empresarial a um fundo e a divisão de custos entre União, estados e municípios.

Além da tarifa zero, Motta anunciou como prioridades a PEC da Segurança Pública, o projeto que regula motoristas por aplicativo e a proposta que extingue a escala 6×1. Ao defender a mudança na jornada de trabalho, ele declarou: “Essa proposta não trata de trabalhar menos, mas sim de viver melhor”.

Hugo Motta e Lula. Foto: Brenno Carvalho/O Globo

O setor empresarial reagiu com críticas, citando aumento de custos e falta de mão de obra. A Confederação Nacional dos Transportes afirmou que “reduzir a jornada sem haver trabalhadores suficientes para suprir a demanda amplia o déficit, eleva custos e pode comprometer a regularidade dos serviços”.

Nos bastidores, o governo avalia que a tramitação por meio de PEC pode atrasar a proposta e defende um projeto de lei em regime de urgência. Lula e o ministro Guilherme Boulos devem se reunir com Motta para discutir o rito e buscar consenso sobre a pauta.