Motta e Alcolumbre não participarão de ato com Lula sobre ataques de 8 de janeiro

Atualizado em 6 de janeiro de 2026 às 18:37
O Senado, Davi Alcolumbre e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Foto: Divulgação

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiram não comparecer à cerimônia de três anos das invasões de 8 de Janeiro, marcada para a próxima quinta-feira (8). O evento, organizado pela Presidência da República, ocorrerá no Palácio do Planalto e deve ser marcado pelo veto do presidente Lula ao projeto de lei da Dosimetria.

O projeto, aprovado pelo Congresso Nacional, propõe uma redução significativa nas penas dos condenados pelos ataques de 2023, beneficiando o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua condenação de 27 anos por envolvimento no golpe de Estado.

A ausência de Motta e Alcolumbre não é inédita. No ano passado, os então presidentes do Congresso e da Câmara, Rodrigo Pacheco e Arthur Lira, também faltaram à solenidade. O desinteresse das principais lideranças do Legislativo, que não promoveram atos próprios nem se manifestaram sobre a data, reflete o esvaziamento crescente das cerimônias em referência ao ataque de 8 de Janeiro.

Enquanto isso, no Supremo Tribunal Federal (STF), o evento será celebrado com uma programação especial, incluindo a abertura de uma exposição, a exibição de um documentário e uma roda de conversa com jornalistas que cobriram o ocorrido.

Em relação à ausência de Davi Alcolumbre, o senador está cumprindo compromissos em sua base eleitoral no Amapá durante o recesso parlamentar. Já Hugo Motta alegou questões pessoais para justificar sua falta.

Bolsonaristas durante o ataque golpista de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A presença do ministro Edson Fachin, presidente do STF, ainda não foi confirmada. O evento no Planalto, marcado pela participação de ministros e movimentos sociais, visa relembrar os atos criminosos de 2023 e reforçar a importância da defesa da democracia.

O ato de 8 de janeiro tem sido tradicionalmente marcado pela ausência de autoridades de destaque e pelo esvaziamento da solenidade. Em 2024, a cerimônia também foi marcada pela falta de algumas das principais figuras políticas do país.

O evento, que ocorre todos os anos desde os ataques, tem o intuito de relembrar a tentativa de golpe e afirmar o compromisso do Brasil com a democracia. Neste ano, o presidente deve aproveitar a ocasião para reafirmar a importância da defesa da soberania nacional e da democracia, mas sem mencionar diretamente a crise política na Venezuela.

Além do veto esperado ao projeto de lei da Dosimetria, que visa reduzir as penas dos envolvidos nas invasões, o governo de Lula deve usar o evento para reforçar os temas da soberania e da paz internacional.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, destacou que a defesa da democracia com soberania nacional será central no discurso do presidente. “Os temas da soberania e defesa da paz ganharam força após os ataques dos EUA e serão complementares no ato”, afirmou ele à CNN Brasil.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.