Mourão é o único caminho contra Bolsonaro durante a pandemia. Por Moisés Mendes

General Mourão. Foto: Reprodução/Twitter

Os episódios recentes envolvendo os Bolsonaros acabam com tudo o que até anos atrás seriam os limites aceitáveis ou razoáveis de desatinos na política. Não há limites para as loucuras e os crimes de Bolsonaro e dos filhos dele.

A realidade é adequada ao que acontece com os Bolsonaros, e as reações estão vários níveis abaixo do estrago provocado.

Se achassem hoje parte da dinheirama das rachadinhas dentro de uma parede da casa de Flavio Bolsonaro, não aconteceria muita coisa além da gritaria.

Se a mulher de Queiroz fosse encontrada agora na cozinha da casa de Eduardo Bolsonaro, é provável que pouco ou nada fosse alterado do cenário político atual.

Se encontrassem o mandante da morte de Marielle de sunga laranja na piscina da casa de Bolsonaro na Barra da Tijuca, também não aconteceria nada de especial.

Só aconteceria alguma coisa se o povo pudesse ir às ruas sem medo. Mas até isso o fascismo conseguiu, combinando a era Bolsonaro com uma pandemia. Só os muito destemidos vão às ruas.

Sem a ameaça da reação popular, pode acontecer o imponderável, o impensável, o inacreditável e nada irá mudar, se as manifestações de contrariedade ficarem no terreno da indignação.

Continuará tudo como está desde agosto de 2016. São quase quatro anos. Quatro anos.

Alguns consideram que a única possibilidade de mudança, sem o povo em massa nas ruas, seria o Fator Mourão. Estaria aí a nossa única chance imediata de reversão de expectativas, ou alguém imagina sessões remotas da Câmara para debater o impeachment?

Se as esquerdas fingissem que pelo menos ainda acreditam em algum pragmatismo, se a política voltasse a ser a arte de conquistar três degraus agora (mesmo que para recuar um mais adiante), para chegar ao topo, o Fator Mourão poderia, dizem, ser levado em conta.

É ingênuo achar que parte das Forças Armadas não tem interesse na viabilização do Fator Mourão.

É nesse contexto que prospera o pragmatismo extremado: só o Fator Mourão poderia nos salvar agora. O que vier depois é outra história.

Seria preciso admitir que há uma saída provisória e que essa saída passa pelo vice, depois que for descartada a possibilidade de enquadramento da chapa Bolsonaro-Mourão no TSE.

A democracia irá se encarregar do resto, inclusive dos compromissos para que os generais desmilitarizem o poder e contribuam para a volta da normalidade.

Mourão agora, numa transição, e o retorno imediato dos fardados aos quarteis logo a seguir.

Se não for assim, avisam, teremos de esperar o fim da pandemia. Vozes que ainda falam baixo dizem que o Fator Mourão precisa ser levado a sério. É a tentação em busca do fim do horror.

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