Movimento negro vai às ruas contra o pacote “anticrime” de Sergio Moro

“Este pacote visa aprofundar um processo de morte vigente no nosso país”, afirma militante do movimento negro / Foto: Rede Brasil Atual

PUBLICADO NO BRASIL DE FATO

POR SHEILA OLIVEIRA E IGOR CARVALHO

Pelo 16º ano consecutivo, a Marcha da Consciência Negra de São Paulo sairá às ruas da capital paulista. Nesta quarta-feira (20), às 12h, os militantes se reunirão no Museu de Arte de São Paulo (MASP) e farão uma caminhada pela região central da cidade. No trajeto, haverá homenagens e protestos, principalmente contra o pacote “anticrime” apresentado ao Congresso Nacional pelo ex-juiz Sergio Moro, atual ministro da Justiça do governo Bolsonaro (PSL).

“Esse pacote visa aprofundar um processo de morte vigente no nosso país. Ele visa dar uma licença para matar. Há muitos itens que são gravíssimos. São muitos os estudos que apontam o contrário do que propõe o pacote do Moro”, afirma Simone Nascimento, da Coordenação Estadual do Movimento Negro Unificado (MNU), em entrevista ao vivo na redação do Brasil de Fato.

O projeto de Moro será discutido e votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta (20), o que é considerado “uma provocação” pelos militantes. Porém, para Nascimento, o ministro não deve ser o único alvo da manifestação.

“O manifesto também faz uma acusação aos governantes que perpetuam e aprofundam o processo de genocídio da população negra, como Bolsonaro e todo seu governo. Como o João Doria [do PSDB, governador de São Paulo], que afirmou que no seu governo a polícia iria ‘atirar para matar’ nas ruas, e a gente sabe quem a bala atinge”, explica Nascimento, citando o documento que será lido durante a manifestação.

“O racismo mata de forma estrutural, quando nos impede o acesso aos direitos e condições de vida básicos. Em São Paulo, uma pessoa que mora na periferia tem uma expectativa de vida 20 anos abaixo de alguém que mora em um bairro elitizado. Um plano antigo, seguido a risca pelos atuais governantes, que estão agindo para aprofundar a política de morte contra o nosso povo”, diz o manifesto.

A militante do MNU ressaltou, ainda, a história da data. “Militantes históricos do movimento negro, aqueles que lutaram antes de nós, fizeram muitas reflexões sobre os dias de luta do povo negro no Brasil. O Oliveira Silveira, em 1971, com outras pessoas de Porto Alegre, decidiram ter um dia para celebrar a morte de Zumbi dos Palmares, que foi assassinado. O Oliveira fez uma homenagem de comemoração a Zumbi e Dandara, e pensaram no dia 20 de novembro”.

Ainda de acordo Nascimento, “lembrar a importância do Dia da Consciência Negra é lembrar uma trajetória de luta do movimento negro pela verdadeira libertação do povo”.

Durante a caminhada, serão lembrados o centenário de nascimento do abolicionista Luiz Gama, os 50 anos de morte de Carlos Marighella e os 165 anos do nascimento de Hilária Batista de Almeida, conhecia como Tia Ciata, mãe de santo brasileira que teve influência na criação do samba no Rio de Janeiro.

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