
Separatistas de Alberta, uma das províncias mais ricas do Canadá, apresentaram uma petição formal para tentar convocar um plebiscito sobre a independência da região. O grupo Stay Free Alberta afirma ter reunido mais de 300 mil assinaturas, acima das 178 mil exigidas para levar a consulta adiante.
A votação poderia ocorrer em 19 de outubro, caso as assinaturas sejam validadas. A pergunta proposta é se os eleitores concordam que Alberta deixe de fazer parte do Canadá para se tornar um Estado independente.
O processo, no entanto, está suspenso por decisão judicial. Um grupo de Primeiras Nações indígenas questiona a consulta e afirma que a separação violaria direitos firmados em tratados anteriores à formação do Canadá moderno. A decisão sobre o caso deve sair ainda neste mês.
Alberta concentra grandes reservas de petróleo, gás e carvão e é a maior produtora de petróleo do Canadá. Parte da insatisfação local vem da percepção de que o governo federal, em Ottawa, impõe barreiras à indústria energética da província em nome de políticas ambientais.
ALBERTA is one step closer to leaving Canada and being independent as Alberta separatists submit THOUSANDS of signatures on the referendum petition
This is good news 🇨🇦 pic.twitter.com/AcN6YS8LQA
— Melissa 🇨🇦 (@MelissaLMRogers) May 4, 2026
O movimento separatista também se alimenta da chamada “alienação ocidental”, expressão usada para descrever a sensação de que Alberta seria ignorada pelo governo central. Apesar da mobilização, pesquisas indicam que a maioria dos moradores votaria contra a separação; cerca de 25% apoiam a independência.
Uma petição contrária à separação, chamada Forever Canadian, reuniu 450 mil assinaturas e aguarda análise de um comitê. O embate coloca em lados opostos grupos separatistas, defensores da unidade canadense e lideranças indígenas que temem impactos territoriais e constitucionais.
Representantes do movimento de independência também se reuniram com integrantes do governo Donald Trump. Segundo um dos organizadores, as conversas trataram de um estudo de viabilidade sobre uma possível linha de crédito de US$ 500 bilhões em caso de separação, mas o grupo nega ter pedido financiamento aos Estados Unidos.