Movimentos de moradia organizam ações de solidariedade em comunidades em todo o país. Por José Eduardo Bernardes

Militantes sem-teto entregam cestas básicas em São Paulo (SP) – Divulgação/ MTST

Publicado originalmente no site Brasil de Fato

POR JOSÉ EDUARDO BERNARDES

Atos de solidariedade têm se espalhado pelo país em meio à pandemia do novo coronavírus. E são os movimentos populares que têm impulsionado auxílios às comunidades de periferias brasileiras, com a entrega de cestas básicas e produtos de higiene como, máscaras de proteção, álcool em gel, sabonetes, detergentes, entre outros.

Além do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que já realizou a doação de toneladas de alimentos país afora, outras organizações ligadas à terra e à moradia, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e a União Nacional por Movimentos por Moradia (UMM) têm se destacado pela solidariedade.

“Com os R$ 600 mil arrecadados até agora, a gente conseguiu comprar 68 toneladas de alimento e alcançar 6.300 famílias em 11 estados do Brasil”, destaca Natália Szermeta, coordenadora nacional do MTST.

As doações são viabilizadas por meio de uma campanha online de arrecadação de fundos. Segundo Szermeta, uma nova fase da “vaquinha online” será lançada nos próximos dias e a meta é chegar a R$ 1 milhão em doações.

No caso da capital paulista, a demora em respostas por parte do poder municipal foi um dos centros das ações dos movimentos de moradia. “Nós já estamos há quase 40 dias em isolamento social e agora que a Prefeitura [de São Paulo] está providenciando as primeiras entregas de cestas básicas. É muita demora”, afirma Benedito Barbosa, coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP), que, junto à UMM, têm realizado entregas de cestas básicas em comunidades de São Paulo.

Foi uma articulação entre os movimentos que integram a CMP e organizações não governamentais que atuam na capital paulista que pressionou a gestão municipal de Bruno Covas (PSDB) a atuar diretamente com as populações mais carentes de itens básicos.

“A gente mapeou mais de 50 comunidades em favelas e ocupações em todas as regiões da cidade. Esse processo de articulação evoluiu para o programa da Prefeitura, chamado Cidade Solidária. Agora, com 320 pontos de distribuição, eles farão a entrega nessa sexta (24) e no sábado (25), de doações, mas ainda em caráter experimental”, explicou Barbosa.

O programa disponibilizará oito pontos de entrega distribuídos pela cidade, que receberão doações.

O trabalho dos movimentos populares preenche lacunas deixadas pelas instâncias de poder no Brasil. Municípios, estados e, principalmente, o governo federal não conseguiram auxiliar pessoas que perderam seu emprego por conta das políticas de isolamento social ou mesmo que tiveram sua renda prejudicada, já que integram o grupo de trabalhadores informais afetados pela pandemia.

O Senado Federal aprovou, em 30 de março, um auxílio emergencial de R$ 600, destinado a trabalhadores informais. A sanção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) só aconteceu três dias depois e os valores, que deveriam alcançar cerca de 70 milhões de pessoas até esta semana, só chegaram a pouco mais de 24 milhões.

“A solidariedade está mostrando que os brasileiros são melhores que o governo brasileiro, mas é preciso entender que não existe possibilidade de diminuir o impacto do vírus se não tiver política pública. Nós estamos falando de um país que tinha mais de 13 milhões de desempregados antes da pandemia”, comenta Szermeta.

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