MP denuncia 23 em esquema de propina e lavagem dentro da Polícia Civil de SP

Atualizado em 28 de abril de 2026 às 9:42
Agentes da Polícia Civil de SP.
Foto: Pablo Jacob/Governo de São Paulo

O Ministério Público de São Paulo denunciou 23 pessoas, incluindo policiais civis, por suspeita de participação em um esquema de corrupção ligado a uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro. A acusação foi apresentada pelo Gaeco, grupo de combate ao crime organizado do MP, como desdobramento da Operação Bazaar.

Os denunciados respondem por suspeita de associação criminosa, corrupção ativa e passiva e fraude processual. De acordo com a denúncia, policiais civis recebiam propina de integrantes do grupo para manter o funcionamento do esquema e dificultar a responsabilização dos envolvidos.

O Ministério Público afirma que os pagamentos ocorriam de forma sistemática desde agosto de 2020. A apuração aponta que a rede de corrupção teria continuado mesmo após a atuação da Polícia Federal e da Receita Federal no caso.

A denúncia também cita tentativas de interferência nas investigações. Entre as suspeitas estão a substituição de dispositivos eletrônicos apreendidos e a retirada de documentos considerados relevantes para a produção de provas.

Imagem ilustrativa.
Sede do Ministério Público do Estado de São Paulo. Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

Segundo o Gaeco, a rede teria alcançado unidades da Polícia Civil de São Paulo como o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania, o Departamento Estadual de Investigações Criminais e o 16º Distrito Policial. O grupo investigado é acusado de movimentar valores bilionários por meio de empresas de fachada, evasão de divisas e outros mecanismos de lavagem de capitais.

O Ministério Público pediu a manutenção de prisões preventivas e de medidas patrimoniais já decretadas na Operação Bazaar. Para outros acusados, a Promotoria pediu tornozeleira eletrônica, entrega de passaportes, restrição de contato com investigados e bloqueio de bens dos policiais civis denunciados, no limite de até R$ 5 milhões por pessoa.

A Secretaria da Segurança Pública afirmou que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha e colabora com as investigações. “A PC [Polícia Civil] reafirma que não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes. Todas as medidas legais e disciplinares cabíveis serão adotadas caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades”, disse a corporação.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.