MP denuncia Deolane e Marcola por lavagem de dinheiro do PCC

Atualizado em 10 de junho de 2026 às 19:18
Deolane Marcola
A advogada Deolane Bezerra, no momento de sua prisão. Foto: Danilo Verpa/Folhapress

O promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, denunciou à Justiça nesta quarta-feira (10) a influenciadora Deolane Bezerra e Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do PCC. A denúncia atribui aos investigados os crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito da Operação Vérnix.

A investigação apura um esquema de branqueamento de ativos ligado a uma transportadora de fachada no interior de São Paulo, apontada como braço financeiro da cúpula da facção. Além de Deolane e Marcola, foram denunciados o irmão de Marcola, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, os sobrinhos Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho, e Everton de Souza, apontado como operador financeiro do esquema.

Deolane foi presa em 21 de maio em um condomínio de luxo em Alphaville, na Grande São Paulo. Ela está custodiada na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, e teve pedido de habeas corpus negado por unanimidade pela Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça na terça-feira (9).

Segundo a investigação, a influenciadora mantinha padrão de ostentação incompatível, em tese, com a capacidade financeira formalmente declarada. Policiais e promotores apontam como elementos de apuração carros de luxo, joias, roupas de grife, viagens, imóveis de alto padrão e publicações nas redes sociais.

Marcola
O chefão do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Foto: Reprodução

A Polícia Civil queria que Deolane explicasse a movimentação de R$ 40 milhões em suas contas. A suspeita é que parte dos recursos teria saído do caixa de uma transportadora de fachada de Presidente Venceslau, usada para ocultar ativos do crime organizado, especialmente do tráfico de drogas.

A defesa de Deolane afirmou que ainda não teve acesso à denúncia e sustenta que a influenciadora “não faz parte de nenhuma organização criminosa”. Já a defesa de Marcola diz que ele está custodiado em presídio federal de segurança máxima desde 2019, sob restrições de contato e comunicação, o que tornaria inviável sua participação nos fatos investigados.

O caso marca uma nova etapa da Operação Vérnix. Até então, Deolane havia sido presa e indiciada; agora, caberá à Justiça decidir se recebe a denúncia do Ministério Público e transforma os acusados em réus.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!