MP Eleitoral tenta barrar uso de Bolsonaro por deputada de SP sem parentesco com ex-presidente

Atualizado em 9 de agosto de 2026 às 7:55
Fabiana de Lima Barroso, deputada estadual de São Paulo conhecida como Fabiana Bolsonaro
Fabiana de Lima Barroso, deputada estadual de São Paulo conhecida como Fabiana Bolsonaro. Foto: Reprodução

A Procuradoria Regional Eleitoral pediu a impugnação do registro da candidatura à reeleição da deputada estadual paulista Fabiana de Lima Barroso, conhecida como Fabiana Bolsonaro, pelo uso do sobrenome no nome de urna. O órgão sustenta que a escolha pode levar eleitores a supor um parentesco com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), embora a parlamentar não faça parte da família nem tenha Bolsonaro em seu registro civil. Com informações de Metrópoles.

O procurador Paulo Taubemblatt afirmou que o nome de urna é capaz de criar dúvida sobre a identidade da candidata, prática vedada pela legislação eleitoral. “Ademais, o uso de ‘Bolsonaro’ no nome de urna por candidato que não pertence à família do ex-Presidente da República nem possui o referido sobrenome em seu registro civil pode gerar migração de votos e causar desequilíbrio no pleito”, escreveu.

A ação cita decisões anteriores da Justiça Eleitoral que barraram candidaturas com nomes de urna que tinham potencial para confundir o eleitorado, inclusive em casos de uso do sobrenome Bolsonaro.

O PL tem sete dias para apresentar contestação à impugnação protocolada nos autos. A Justiça Eleitoral analisará o pedido de registro depois da manifestação do partido e das etapas previstas no processo.

Deputada já teve o nome de urna rejeitado em 2022

Fabiana de Lima Barroso tentou concorrer em 2022 com o nome de urna Fabiana Bolsonaro, mas a Justiça Eleitoral impediu o uso. Naquela eleição, ela disputou o cargo como “Fabiana B.” e conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Em março, a deputada também entrou no noticiário após opositores acusá-la de racismo e transfobia por um discurso na Alesp em que pintou o rosto para criticar a deputada federal Erika Hilton (PSOL). A prática foi associada ao blackface, caracterizado pela pintura do corpo ou rosto para representar pessoas negras.

A defesa de Fabiana rejeitou as acusações e chamou a denúncia de “mentira deliberada para tentar calar um debate legítimo”. “Em nenhum momento debochei, fiz piada ou desrespeitei a luta histórica do povo negro”, afirmou a parlamentar em nota divulgada à época.

A assessoria da deputada foi procurada para comentar a impugnação do registro eleitoral, mas não havia apresentado manifestação até a publicação da informação.

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