
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios afirmou em nova ação civil pública que a influenciadora Virginia Fonseca poderia receber 30% de comissão sobre as perdas de apostadores que seguiam recomendações divulgadas em campanhas da Blaze.
No documento, o MPDFT aponta que Virginia, que tem mais de 56 milhões de seguidores nas redes sociais, teria adotado estratégias para captar apostadores na partida entre Argentina e Cabo Verde. Na ocasião, ela teria estimulado o público a apostar na vitória da seleção africana.
A Argentina venceu o jogo por 3 a 2. Para o Ministério Público, o resultado gerou perda integral aos consumidores que seguiram a indicação. “Como esperado pelo senso médio, a seleção da Argentina venceu a partida (3 a 2), impondo perda integral aos consumidores que seguiram a recomendação […] Tal cenário transparece ser uma estrutura voltada à maximização do volume de apostas em detrimento absoluto da proteção do consumidor”, afirmou o órgão.
A ação sustenta que a empresa de apostas usou estratégias de marketing capazes de induzir o público ao jogo por meio de promessas de ganhos fáceis, publicidade considerada enganosa e influenciadores digitais de grande alcance para estimular apostas.
O Ministério Público pediu a condenação solidária da Blaze e de Virginia ao pagamento de indenização por danos morais coletivos de R$ 120 milhões. O valor teve como base uma estimativa conservadora de que a Blaze movimentaria cerca de R$ 600 milhões por ano em receita bruta de jogos.

A investigação começou após denúncias de consumidores que relataram retenção de valores, bloqueio de contas e dificuldades para sacar recursos depositados na plataforma. Um relatório técnico reuniu mais de 42 mil reclamações contra a Blaze e indicou, na avaliação do MPDFT, um padrão recorrente de possíveis violações aos direitos do consumidor.
Em relação a Virginia, o promotor Paulo Binicheski afirma que ela publicou, durante a Copa do Mundo de 2026, conteúdos incentivando seguidores a apostar na Blaze sem deixar claro o caráter publicitário da divulgação, especialmente no jogo de Cabo Verde. A ação afirma que a influenciadora teria apresentado a aposta como uma recomendação espontânea.
O MPDFT também cita informações de investigações que indicam remuneração vinculada às perdas dos apostadores captados. A ação afirma que essa circunstância agrava o conflito de interesses e aumenta o risco de prejuízo aos consumidores. O documento ainda registra a frase: “A aposta te vende a fantasia do dinheiro fácil. A única aposta garantida é a da casa. E a casa contratou justamente quem você admira para te convencer a jogar”.
A Foggo Entertainment Ltda, detentora da marca e da operação Blaze no Brasil, disse que ainda não tinha sido formalmente intimada sobre o procedimento. A empresa afirmou que mantém compromisso com “transparência e conformidade com a legislação e as regulamentações em vigor no país” e que prestará esclarecimentos às autoridades competentes quando for notificada.
A defesa de Virginia Fonseca afirmou que tomou conhecimento da ação pela imprensa e que responderá às alegações tecnicamente nos autos. Os advogados disseram que diligências ainda estão pendentes, incluindo a requisição de contratos e informações sobre a natureza do vínculo, a forma de remuneração e os limites da atuação publicitária da influenciadora, e refutaram “qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores”.