MPF apaga planilhas de propinas da Odebrecht

Atualizado em 18 de maio de 2023 às 7:38
Fachada da Odebrecht. Foto: Divulgação

Com a permissão da Justiça Federal do Paraná, o Ministério Público Federal destruiu os arquivos que contavam com os dados de servidores clandestinos da Odebrecht. Esse material guardava informações sobre os pagamentos de propinas da empreiteira. Desde 2017, houve diversas acusações de que esses dados teriam sidos adulterados pelos investigadores da Lava Jato.

Esses documentos foram apagados entre 19 e 20 de maio de 2022, quando “foram iniciados procedimentos de furos em cada um dos 7 HDs de 8TB”. Uma broca de aço, em uma furadeira de bancada, foi utilizada para atravessar os equipamentos de armazenagem

O MPF contava com esses arquivos para inúmeros processos e acusação contra diversos políticos, entre eles o presidente Lula (PT). A Odebrecht criou um departamento dedicado a essa função dentro da empresa, onde contava com um sistema paralelo de informática para esconder como e para quem pagava suas propinas. Esse servidor ficava na Suíça, longe do alcance de possíveis operações da polícia brasileira.

A Justiça brasileira só teve acesso aos arquivos em 2017, quando o Grupo Odebrecht teve um acordo de leniência homologado. Assim, uma cópia dos sistemas que armazenavam a contabilidade paralela foi disponibilizada para a Procuradoria-Geral da República.

Além de servir informações sigilosas para a Lava Jato Ilegalmente, o acesso ao sistema Drousys, presente no material, permitiu que a investigação de Curitiba fechasse acordos de delação com 78 executivos da empreiteira, contando com Emílio e Marcelo Odebrecht.

O presidente Lula, por meio de sua defesa, teve autorização do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), para produzir um laudo complementar ao parecer técnico da PF, que analisou as provas dos extratos do servidor.

Os peritos da PF, segundo os advogados do petista, afirmaram que os arquivos foram colhidos na Odebrecht, não extraídos diretamente dos servidores suíços.

Roberto Brunori Júnior, perito da PF contratado pela defesa de Lula, contou que a “Odebrecht recebeu [os arquivos] da Autoridade Suíça e ela abriu isso, e mexeu nisso, durante muito tempo isso ficou lá”.

Em 2017, o advodado Rodrigo Tacla Durán, já havia questionado os arquivos, durante seu depoimento da CPMI da JBS. “A perícia comprova que o sistema Drousys, da Odebrecht, foi manipulado e adulterado antes, durante e depois do seu bloqueio pelas autoridades suíças. Isso quer dizer que todas as informações e documentos desse sistema não se prestam para ser usados como prova para incriminar quem quer que seja”, disse ele na época.

Sede da empresa Safe Host, em Genebra, onde a Odebrecht mantinha os servidores do Drousys. Foto: reprodução
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