
Flávio Bolsonaro passou a usar nas redes sociais a imagem de “Bolsonaro moderado” em meio à pré-campanha ao Palácio do Planalto. Em vídeo publicado neste domingo (19), o senador aparece ao lado da mulher, Fernanda Bolsonaro, que diz ter “reeducado” o marido e o apresenta como uma versão mais moderada do sobrenome que carrega. O material também mostra a rotina do casal com as duas filhas.
Na gravação, Fernanda afirma: “Não é atoa que você é Bolsonaro moderado. Reeduquei ele”. Em seguida, Flávio responde: “Algumas pessoas começaram a falar que sou um Bolsonaro vacinado. Olhando isso tudo, Deus foi me preparando para esse momento”. Em tom de campanha, a esposa ainda diz que “o povo brasileiro pode esperar um presidente com muita garra para lutar por esse país e por Justiça”.
O vídeo foi divulgado num momento em que Flávio tenta consolidar uma imagem menos radical dentro do bolsonarismo. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 15 de abril mostrou que 45% dos brasileiros dizem que ele não é mais moderado que Jair Bolsonaro e os irmãos, enquanto 39% avaliam que o senador tem perfil mais moderado.
Desde que teve a pré-candidatura lançada com o aval do pai, em dezembro de 2025, Flávio passou a repetir que tem os mesmos princípios do ex-presidente, mas não as mesmas posições em todos os temas.
Na fase inicial dessa movimentação, ele disse: “Tenho os mesmos princípios, tenho o sangue Bolsonaro, mas nenhum ser humano é igual ao outro. Em vários momentos, ele tinha um entendimento, eu tinha outro. Ele não quis tomar vacina (contra a Covid), eu tomei duas doses”. Depois, completou: “Muita gente pedia: ‘Bolsonaro, você tem que ser mais moderado’. Sou eu. Bolsonaro mais moderado”.
Em março, durante ato na Avenida Paulista, o senador levou essa linha para o discurso público ao abordar os casos de feminicídio. Na ocasião, afirmou ser necessária uma “defesa intransigente das mulheres” e declarou: “Eu sou casado, pai de duas princesinhas, que são a razão do meu viver. E eu imagino a dor dessas famílias que têm uma mulher agredida ou assassinada por um covarde. E a gente não vai mais tolerar isso neste país. As mulheres serão, de verdade, abraçadas e protegidas, sem hipocrisia”.
No mesmo mês, Flávio votou a favor do Projeto de Lei 896/2023, que inclui a misoginia na Lei do Racismo, proposta aprovada no Senado e alvo de críticas de parte de aliados à direita. Ao justificar seu voto, diz que tratava-se de uma “armadilha do PT”. Em outra frente, o senador também saiu em defesa do bolsonarista Vinicius Júnior após ataques racistas na Espanha, movimento que voltou a gerar reação entre apoiadores.
Marketing eleitoral à parte, o pré-candidato fez um discurso radical em sua participação na edição 2026 do CPAC, evento internacional da extrema-direita, no qual, entre outras coisas, prometeu as terras raras brasileiras como solução para os EUA em seu confronto com a China.