Mundo precisa do Brasil com democracia, diz ex-primeiro-ministro francês Dominique Villepin

Dominique Villepin. Foto: Wikimedia Commons

Publicado originalmente na Rede Brasil Atual (RBA)

O ex-primeiro-ministro francês Dominique Villepin afirmou nesta quinta-feira (13) que o mundo atravessa um período de turbulência, com o crescimento de tendências autoritárias em muitas regiões, da ampliação das desigualdades entre os países e dentro de cada país, como efeitos negativos da globalização. “Nesse contexto, precisamos do Brasil como grande ator democrático e como ardente defensor do multilateralismo”, afirmou Villepin, ao lado do ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa, Celso Amorim, em entrevista coletiva.

Os dois participam, nesta sexta-feira (14) do seminário Ameaças à Democracia e a Ordem Multipolar, promovido pela Fundação Perseu Abramo, juntamente com outros pensadores e políticos de prestígio internacional, como o intelectual e ativista político norte-americano Noam Chomsky e os ex-primeiros-ministros da Espanha e da Itália, José Luís Rodrigues Zapatero e Massimo D’Alema, dentre outros.

Villepin, que ganhou destaque internacional quando se opôs à invasão norte-americana do Iraque sem o aval da Organização das Nações Unidas, em 2003, viu o crescimento da influência do Brasil no cenário internacional durante os governos do ex-presidente Lula. “Vi o aumento da influência do Brasil com o crescimento dos Brics. Vi o engajamento do país para consolidar a paz e a democracia no mundo, desenvolver suas relações com os países do Oriente Médio, afirmar um papel de iniciativa com relação à América Latina, e se abrir muito mais a suas relações com a África.”

O ex-primeiro-ministro francês também destacou “a abertura da democracia” brasileira nesse período. “Deste ponto de vista, os anos do presidente Lula foram realmente decisivos em termos de educação, saúde, reformas e desenvolvimento da sociedade brasileira. O acesso dos brasileiros a mais direitos e a mais oportunidades é um elemento importante dessas mudanças que foram empreendidas. E o que faz uma nação forte é esse sentimento de compartilhar um futuro melhor.”

Preocupações

Villepin afirmou que ele, assim como outros observadores internacionais, tem tido “inquietações” e “preocupações” com os rumos da democracia brasileira. O mesmo tipo de sentimento, segundo ele, que há no mundo em relação ao governo de Donald Trump e com o aumento dos regimes liberais e governos ditatoriais ao redor do mundo. “É também a mesma preocupação com o que está acontecendo na Europa, com o aumento dos partidos de extrema-direita, populistas e conservadores”, disse.

Segundo ele, essas tendências autoritárias, que ele caracteriza como “supremacistas” e “populismo conservador”, são baseadas na “vontade” de alguns países, grupos sociais ou pessoas de se afirmarem perante os demais a partir de critérios raciais, por exemplo.

Para o Brasil, Villepin afirmou que regras legais não funcionam se não tiverem o espírito de progresso e de reformas voltadas para o povo. Sem o respeito às leis, as reformas também não duram, afirmou o ex-líder europeu, que defendeu o Estado de Direito e o fortalecimento de instituições “imparciais”, que são, segundo ele, o “coração da democracia”.

Amorim destacou a presença das personalidades estrangeiras que vão participar do seminário. “Ao contrário de nós, brasileiros, que muitas vezes temos uma visão muito minúscula do nosso país, eles sabem da importância do Brasil no cenário internacional. Não só pelo tamanho, que já seria uma razão, mas porque o Brasil tem tradições democráticas, alguns delas que estão sendo violentadas.”

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