Museu de Auschwitz deixa de vender ingressos no local por “práticas antiéticas”

Atualizado em 8 de fevereiro de 2026 às 15:25
O Museu de Auschwitz, na Polônia

O Museu Memorial de Auschwitz-Birkenau anunciou que deixará de vender ingressos presenciais e passará a exigir agendamento online antecipado para visitas a partir do próximo mês. A medida, segundo a instituição, busca conter práticas enganosas de empresas de turismo que levavam grupos ao local sem reservas confirmadas, provocando filas, conflitos e cancelamentos de última hora.

O objetivo declarado é organizar melhor o fluxo de visitantes e proteger um espaço de memória histórica sensível.

A decisão ocorre em um contexto mais amplo: a Polônia já gastou mais recursos na preservação dos antigos campos de extermínio e concentração nazistas em seu território do que a Alemanha jamais destinou diretamente às vítimas polonesas da ocupação durante a Segunda Guerra Mundial.

Após 1945, coube ao Estado polonês a responsabilidade quase integral de conservar esses locais, transformados em provas materiais dos crimes do Terceiro Reich, em advertência permanente às gerações futuras e em fonte de receita para a Polônia.

Nos oito maiores campos instalados pela Alemanha nazista na Polônia ocupada — Auschwitz-Birkenau, Treblinka, Bełżec, Kulhof (Chełmno), Sobibór, Majdanek, Stutthof e Gross-Rosen — cerca de 3,2 milhões de pessoas foram assassinadas, a maioria judeus europeus.

Os poloneses étnicos formaram o segundo maior grupo de vítimas. Esses nomes se tornaram símbolos universais de uma violência sem precedentes na história humana e marcaram definitivamente o território polonês.

Mesmo assim, ao longo das décadas do pós-guerra, a Alemanha transferiu para a Polônia o ônus financeiro e institucional da preservação desses espaços. Com exceções pontuais e contribuições limitadas, Berlim se afastou da responsabilidade direta pela manutenção dos locais onde seus próprios crimes foram cometidos. O resultado é que a memória do Holocausto, em solo polonês, tem sido sustentada majoritariamente com recursos públicos da Polônia.

Em 2025, o Museu de Auschwitz recebeu 1,95 milhão de visitantes, mais de 75% estrangeiros. Embora a entrada seja gratuita, cerca de 90% do público opta por visitas guiadas pagas, agora restritas exclusivamente ao sistema online oficial. Aproximadamente 23% do público foi de poloneses, seguidos por britânicos, italianos, espanhóis e alemães. O crescimento do turismo no país tem ampliado a pressão por medidas de controle para proteger locais históricos sensíveis.

Criado pela Alemanha nazista em 1940, em território polonês ocupado, Auschwitz tornou-se o principal centro de extermínio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Ao menos 1,3 milhão de pessoas foram deportadas para o complexo, e cerca de 1,1 milhão morreram ali, a maioria em câmaras de gás. O campo foi libertado pelo Exército Vermelho em janeiro de 1945 e transformado em museu estatal dois anos depois.