Musk incentivou uso de IA para criar deepfake de mulheres nuas, diz promotoria francesa

Atualizado em 21 de março de 2026 às 12:04
Elon Musk, dono do X. Foto: reprodução

A Promotoria de Paris afirmou neste sábado (21) que alertou autoridades dos Estados Unidos diante da suspeita de que o bilionário Elon Musk teria incentivado a circulação de deepfakes de teor sexual na plataforma X com o objetivo de valorizar artificialmente suas empresas. O caso envolve o uso da ferramenta de inteligência artificial Grok para as práticas abusivas contra mulheres.

Segundo o órgão francês, há indícios de que a polêmica envolvendo os conteúdos falsos teria sido estimulada estrategicamente. “A polêmica provocada pelos ‘deepfakes’ de conteúdo sexual explícito produzidos pelo Grok [a IA do X] poderia ter sido deliberadamente instigada com o objetivo de aumentar artificialmente o valor das empresas X e xAI”, declarou a Promotoria à AFP.

A suspeita se relaciona diretamente com planos financeiros envolvendo as companhias de Musk. De acordo com os investigadores, a estratégia poderia estar vinculada à “abertura de capital em junho de 2026 da nova entidade criada pela fusão” entre SpaceX e xAI, o que poderia inflar a avaliação de mercado das empresas.

A suspeita sobre a participação de Musk nas práticas abusivas não é nova. Em fevereiro, o jornal Whashington Post, dos EUA, noticiou que o bilionário não apenas sabia do uso do Grok como teria incentivado. A diferença estava na motivação, pois àquela altura o veículo afirmou que o sul-africano teria a intenção de expandir a popularidade da ferramenta nas lojas de aplicativos.

Os deepfakes são vídeos gerados por inteligência artificial capazes de reproduzir com alto grau de realismo a imagem e a voz de pessoas reais, frequentemente figuras públicas. No caso investigado, a preocupação se concentra na disseminação de conteúdos de caráter sexual, o que levanta questionamentos éticos e legais sobre o uso da tecnologia.

Quando a ferramenta que “desveste” pessoas em fotos ganhou popularidade no X, o próprio Musk publicou mensagens promovendo o recurso. Entre 29 de dezembro e 8 de janeiro, o Center for Countering Digital Hate registrou cerca de 23 mil imagens sexualizadas envolvendo crianças e três milhões de imagens sexualizadas geradas pelo Grok.

Mulher tem foto manipulada pelo Grok. Foto: Reprodução

Após a repercussão internacional, Musk declarou não ter conhecimento de imagens de nudez infantil produzidas pela ferramenta. Apesar da limitação do recurso a usuários pagos, a função continuaria sendo usada nos Estados Unidos, segundo o Washington Post.

A Promotoria de Paris informou que entrou em contato, na última terça-feira, com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e com advogados franceses que atuam junto à SEC, a Comissão de Valores Mobiliários estadunidense. O objetivo foi compartilhar as suspeitas e ampliar a cooperação internacional nas investigações.

O caso não é isolado. Desde o ano passado, autoridades francesas já investigam o X por suposta manipulação de algoritmo com impacto na política do país. Agora, o inquérito também inclui a disseminação de negacionismo do Holocausto e conteúdos falsos gerados pela inteligência artificial da plataforma.

Em fevereiro, Elon Musk foi convocado para uma “entrevista voluntária” e os escritórios do X na França foram alvo de buscas. O empresário classificou a ação como “ataque político”, aumentando a tensão entre a empresa e autoridades europeias.

Outros países também acompanham o tema. O Reino Unido e a União Europeia abriram investigações próprias sobre a criação de deepfakes sexualizados envolvendo mulheres e crianças por meio do Grok, ampliando o alcance das apurações.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.