
Elon Musk, dono da Tesla, da SpaceX e do X, declarou US$ 474 milhões (cerca de R$ 2,57 bilhões) em doações para a eleição de meio de mandato dos Estados Unidos. O valor o coloca como o maior financiador individual de um único ciclo eleitoral americano entre pessoas que não disputam um cargo.
Os recursos somam contribuições a grupos políticos federais e estaduais feitas desde 1º de janeiro de 2025. O levantamento se baseia em registros apresentados à Comissão Eleitoral Federal, à Receita Federal dos EUA e aos sistemas estaduais de financiamento de campanha.
A maior parcela, de US$ 216 milhões, foi para o America PAC, super PAC criado por Musk. Esse tipo de comitê pode arrecadar e gastar recursos sem limite, desde que não coordene diretamente suas ações com candidatos e campanhas.
Em Wisconsin, o America PAC gastou cerca de US$ 47 milhões em uma disputa judicial estadual no ano passado. O candidato apoiado pelo empresário acabou derrotado na eleição.

Recursos de Musk reforçam estrutura republicana no Senado e na Câmara
Musk destinou outros US$ 168 milhões ao Senate Leadership Fund, principal super PAC ligado aos republicanos no Senado. Quase todo esse montante apoiou Ken Paxton, candidato republicano no Texas e procurador-geral do estado.
O empresário também aplicou aproximadamente US$ 44 milhões em outros grupos ou candidatos republicanos federais. Mais US$ 30 milhões seguiram para o Congressional Leadership Fund, organização que atua para eleger republicanos à Câmara dos Representantes.
Em iniciativas estaduais no Michigan, Texas e Wisconsin, as contribuições chegaram a cerca de US$ 16 milhões. Parte dos repasses saiu da United States of America Inc., organização política sem fins lucrativos ligada a Musk.
O total divulgado pode ser maior, já que Musk também recorreu a doações de origem não divulgada, conhecidas como “dark money”. Os registros federais analisados vão somente até 14 de outubro e não incluem eventuais aportes feitos nas três semanas finais antes da eleição.
Antes de 2026, apenas Michael Bloomberg havia desembolsado mais em um ciclo eleitoral, em 2020, quando financiou a própria campanha nas primárias democratas à Presidência. Musk havia investido US$ 290 milhões na eleição de 2024 e, em maio de 2025, disse: “Em termos de gastos políticos, vou fazer muito menos no futuro. Acho que já fiz o bastante.”
Após um rompimento público com Donald Trump em junho de 2025, Musk voltou a se aproximar do presidente e intensificou os aportes eleitorais. Parlamentares democratas indicaram que poderão investigá-lo se retomarem o controle do Congresso, incluindo os contratos de suas empresas com o governo federal, sua passagem pelo Departamento de Eficiência Governamental e sua atuação na guerra entre Rússia e Ucrânia.