Na bizarra parceria entre Serra e a Globo, quem perdeu foi o contribuinte paulista

Feitos um para o outro
Feitos um para o outro

 

Quando você pensa que não existem mais motivos para você rejeitar ainda mais Serra, eis que ele sempre surpreende.

Agora, um caso relativamente antigo mostra a sorte que os brasileiros tiveram em se livrar da hipótese nefasta de um Serra presidente.

Estamos falando de como Serra lidou com um terreno público que a Globo, sem nenhuma cerimônia, tomou para si ao longo de anos.

O terreno, contíguo à sede da empresa em São Paulo, foi ocupado pela Globo. Você não podia entrar lá, mesmo sendo público. Seguranças da Globo detinham você.

O terreno virou coisa privada da Globo – numa parábola dramática do que a empresa faz com o Brasil.

O tema voltou à discussão agora por conta do paralelo que se faz com um terreno municipal que a justiça de São Paulo negou – acertadamente — ao Instituto Lula.

Kassab fizera a gentileza com aquilo que não é dele, um patrimônio municipal, e a justiça negou.

Num mundo menos imperfeito, Lula não teria aceito uma generosidade tão despropositada, até porque tem meios para bancar seu instituto. É um dos palestrantes mais bem pagos do mundo, e pode perfeitamente alugar uma sede para seu instituto sem tomar um prédio dos paulistanos.

Alguém imagina Mujica fazendo o mesmo em Montevidéu?

Mas este mundo é mesmo incrivelmente imperfeito, tanto que a Globo jamais foi incomodada pelo poder público ao usurpar um terreno público na São Paulo que seus acionistas, como bons cariocas, abominam e invejam ao mesmo tempo.

O furto da Globo só veio à luz porque a Record fez uma excelente reportagem.

O que a Folha — “um jornal a serviço do Brasil”, pausa para rir — fez com o escândalo? Nada. E a Veja, tão combativa, pausa para mais uma risada, fez? Nada.

Apenas para um exercício especulativo, e se São Paulo tivesse acionado a Globo e o processo fosse dar no STF de Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e Ayres Britto? São todos chapas da Globo no famigerado Instituto Innovare, pretensamente destinado a premiar boas práticas jurídicas.

Mais uma pausa, agora para emitir um longo gemido de lamento impotente.

Serra governava São Paulo na época, e interpelado por um repórter da Record sobre o caso reagiu com sua habitual truculência arrogante.

Em vez de explicações, deu patadas. Se tivesse bom trânsito com Edir Macedo, ligaria, como tantas vezes fez, para pedir a cabeça do jornalista.

Denunciado o caso, já não havia como fingir que a Globo era dona do terreno.

A solução foi abjeta. A prevaricadora se associou, sob sorrisos, à vítima – o pobre paulista, representado pelo seu governo.

Montaram ali uma escola técnica, à qual se deu o nome de Roberto Marinho. Melhor: Jornalista Roberto Marinho, que era como o barão iletrado da mídia gostava de ser chamado.

Na escola, os temas estudados estão vinculados a interesses editoriais estratégicos da Globo.

A Globo não pediu desculpas aos paulistas. Não cogitou enfiar a mão no bolso para ressarcir os cofres públicos pelo que sonegou ao não pagar nenhum tipo de aluguel.

Num vídeo, você pode ver a cerimônia em São Paulo em que o governador Serra e Roberto Irineu Marinho assinam um contrato que é corrupto em cada vírgula.

Estão felizes. Roberto Irineu provavelmente contava os minutos para retornar à sua cidade, e Serra tinha aquele sorriso que ele reserva para campanhas eleitorais e para homens poderosos.

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