Na Globo News, Míriam encontrou a cobra usada em sua tortura e que ela não viu que continuava viva. Por Kiko Nogueira

Miriam Leitão na sabatina com Bolsonaro

O duelo entre Míriam Leitão e Jair Bolsonaro acabou não acontecendo na sabatina da GloboNews.

Era algo, de certa forma, esperado, já que Bolso escolheu Míriam como alvo de artilharia pesada há alguns anos.

Numa coluna, ela disparou: ”Não sabe o básico sobre economia e nem um transplante seria capaz de salvar Bolsonaro”.

Ele a chamou, indiretamente, de porca: “Esta faz jus ao sobrenome”.

Falou que “se chegar lá”, “ela vai querer lamber minhas botas, como fez com todos que chegaram ao Poder. Seu lugar é no chiqueiro da História”.

Lamentou, ainda, que a jornalista “continue tão idiota como há quarenta anos”.

Em 2016, Míriam Leitão lamentou o discurso de Bolsonaro na votação do impeachment.

“A democracia tem mesmo que conviver com quem a ameaça, como o deputado Jair Bolsonaro? O que ele defende e proclama fere cláusulas pétreas”, escreveu.

“Ele usa a democracia para conspirar contra ela abertamente e sob a cobertura de um mandato. Ele exaltou em seu voto a tortura, que é um crime hediondo, e fez, inclusive, o elogio à figura do mais emblemático dos torturadores do regime militar, Carlos Alberto Brilhante Ulstra” (O correto é Ustra, Míriam).

“O voto dele é apologia de dois crimes, fere duplamente a Constituição. Por que não sofre um processo de cassação pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados?”

Em 1972, grávida, ela foi presa e levada ao quartel do 38º Batalhão de Infantaria do Exército, em Vitória, no Espírito Santo. Foi trancada nua em um cômodo.

“Eles saíram e o homem de cabelo preto, que alguém chamou de doutor Pablo, voltou trazendo uma cobra grande, assustadora, que ele botou no chão da sala, e antes que eu a visse direito apagaram a luz, saíram e me deixaram ali, sozinha com a cobra”, relatou Míriam.

“Coitada da cobra”, respondeu Bolsonaro na primeira oportunidade.

Reiterou o insulto diante do filho dela, Matheus, que foi entrevistá-lo para um livro.

Míriam manteve o decoro e o profissionalismo quando se encontrou frente a frente com essa cavalgadura.

Precisava chegar a esse ponto?

O que ela fez para impedir que aquela mistura de taxista com tio do pavê e Mussolini de cantina viesse a disputar a presidência da República?   

Quanto de seu tempo — e dos colegas — dedicado a demonizar “o lulopetismo”, Dilma, o bolivarianismo, Lula, o fim do mundo petista, poderia ter sido dedicado a Bolsonaro quando ele ainda era um brilho nos olhos do fascismo nacional?

Bolsonaro vem vomitando excrescências contra o estado de direito há muito tempo, sem ser incomodado.

Afirmou, por exemplo, que queria fuzilar FHC. Virou herói dos protestos pelo impeachment.

Está há três décadas na Câmara. Foi o deputado mais votado do Rio de Janeiro em 2014.

Enquanto crescia, Míriam se debruçava de maneira monomaníaca sobre o PT.

Acordou tarde demais.

No final do programa, a Globo a fez ler tropegamente, através de ponto eletrônico, um editorial desdizendo outro editorial de Roberto Marinho exaltando a ditadura, mencionado por seu algoz.

A cobra que Míriam Leitão encontrou em sua cela continuou viva e ela não viu.

Quando percebeu, o bicho estava sentado à sua frente, como num espelho.

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