
O ator Juliano Cazarré protagonizou um momento de desinformação ao vivo durante participação no programa “GloboNews Debate”, exibido nesta terça-feira (12).
Ao lado da psicanalista Vera Iaconelli e do consultor em equidade racial e de gênero Ismael dos Anjos, o ator repetiu fake news antigas sobre violência de gênero e educação sexual sem ser confrontado de forma objetiva pela jornalista Julia Duailibi, responsável pela mediação.
Durante o bate-papo, Cazarré afirmou que homens estariam sendo tratados como “tóxicos” apenas por serem homens e declarou que existe uma perseguição cultural masculina nos últimos anos. “Eu estou falando para essa galera que foi esquecida. Eu estou falando para os homens e meninos que estão há 20 anos ouvindo que todos eles são tóxicos só pelo fato de serem homens”, disse.
Na sequência, repetiu uma conversa já desmentida por agências de checagem ao afirmar que mulheres matariam mais homens no Brasil. O argumento costuma circular em vídeos de TikTok dos círculos red pill e nas redes sociais dessa turma. Vera Iaconelli respondeu dizendo que mulheres pedem apenas para “não serem mortas”, enquanto homens frequentemente interpretam qualquer debate sobre masculinidade como ataque pessoal.
Os vídeos cujo conteúdo Cazarré repercutiu afirmavam que o país teria registrado 46.328 homens mortos em crimes violentos em 2024 — o número real ficou em torno de 42 mil — e, a partir disso, aplicava um percentual de 6% falsamente atribuído ao Ipea para concluir que cerca de 2.760 homens teriam sido assassinados por parceiras.
A comparação, porém, mistura categorias estatísticas completamente diferentes. O cálculo inclui homicídios em geral, latrocínios, mortes decorrentes de violência policial, confrontos ligados ao crime organizado e lesões corporais seguidas de morte, contextos nos quais homens são maioria tanto entre vítimas quanto entre autores. Já o feminicídio é um crime específico, relacionado à violência de gênero e ao assassinato de mulheres motivado por condição de sexo ou contexto doméstico.
O percentual de 6% também foi retirado de um levantamento global de 2013 e apresentado fora de contexto. O mesmo estudo apontava que, naquele ano, 40% dos homicídios de mulheres no mundo haviam sido cometidos por parceiros íntimos ou familiares, dado omitido na publicação compartilhada nas redes.
Levantamentos mais recentes da ONU mostram agravamento desse cenário. Segundo dados internacionais atualizados, 60% dos feminicídios registrados no mundo são praticados por parceiros ou familiares das vítimas. Entre homens, apenas 12% dos homicídios ocorrem dentro do ambiente doméstico ou em relações íntimas.
Cazarré também reviveu outra fake news ao sugerir que escolas brasileiras ensinam crianças a colocar preservativos com a boca. O vídeo usado há anos por grupos de bolsominions como “prova” da acusação foi gravado em uma feira universitária da UESB, na Bahia, e não em uma escola infantil.
🚨 VEJA l Juliano Cazarré diz que “mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres” e fala divide opiniões pic.twitter.com/Ccqqjh6r7G
— Notícias Paralelas (@NP__Oficial) May 13, 2026
Não houve correção de Duailibi. “Que escola é essa que você está frequentando, Juliano?”, questionou Ismael dos Anjos, sem contar ao público que se tratava de uma cascata.
A observação não foi acompanhada de esclarecimento. Julia Duailibi permaneceu em silêncio enquanto essas declarações eram feitas, apesar de o programa manter uma estrutura de produção enorme. Fica provado, portanto, que a falta de questionamento é método. Foi assim que se produziu o PowerPoint do Banco Master.
O debate ocorreu semanas após o lançamento do curso “O Farol e a Forja”, criado por Cazarré e voltado para machos frágeis. O ator afirma que a iniciativa pretende discutir liderança masculina, espiritualidade cristã e masculinidade.
Ao defender diferenças naturais entre homens e mulheres, Cazarré afirmou que homens seriam mais voltados à ação e à resolução de problemas. “Eu quero criar meninos que tenham empatia, mas que também sejam corajosos, sejam viris, resolvam problemas”, falou. Vera Iaconelli rebateu dizendo que o modelo tradicional de masculinidade precisa incorporar cuidado e escuta.
Cazarré ainda classificou o funk como uma “perversão”. Todo o pacote bolsonarista, ao vivo e a cores, sob a chancela da GloboNews. Da próxima vez ele vai tomar Ypê no gargalo.
Essa conversa ontem foi um constrangimento e me causou uma vergonha alheia imensa do ator Juliano Cazarré. Como pode uma pessoa tão tol4??? Vera Iaconelli sempre afiada e maravilhosa, arrasou muito e nessas considerações finais acabou com o Tonhão. pic.twitter.com/Kdu3R1ZIab
— Dan Pimpão (@DanPimpao) May 13, 2026
Deu ruim para o esquerdista: o militante tentou puxar para o lado político, mas Juliano Cazarré respondeu direto sobre segurança pública, criticou a audiência de custódia, apontou falhas do sistema e contestou a narrativa que culpa o conservadorismo pelo cenário atual. pic.twitter.com/ONclDCb9so
— Giovani Cherini (@giovanicherini) May 13, 2026
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