Na guerra com a Igreja Católica declarada pelo general Heleno, padres ‘comunistas’ serão torturados novamente? Por Kiko Nogueira

General Heleno em reunião de loja maçônica de Brasília

A admissão, pelo general Heleno, de que o governo está “monitorando” — eufemismo para espionar com o intuito de depois punir — reuniões da Igreja Católica é reveladora de velhas manias que não morrem facilmente.

Segundo informes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e de comandos militares, houve encontros de cardeais brasileiros com o papa Francisco, no Vaticano, para discutir a realização do Sínodo sobre Amazônia, que reunirá em Roma, em outubro, bispos de todos os continentes. 

O debate vai abordar a situação de povos indígenas, mudanças climáticas provocadas por desmatamento e quilombolas, conta o Estadão.

“Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí”, declarou Heleno, ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

“Vamos entrar a fundo nisso. Não vai trazer problema”, diz ele, que está saudoso de quando padrecos comunistas iam para o pau de arara, ao que tudo indica.

A CNBB foi instrumental na luta contra a ditadura.

Em 1969, o padre Antônio Henrique Pereira Neto, de 28 anos, foi encontrado no Recife morto com uma corda no pescoço, feridas pelo corpo, tiro na cabeça e cortes de facão na garganta e na barriga.

Era o padre auxiliar de dom Helder Câmara, arcebispo de Olinda.

O frei Tito, dominicano, torturado na sede da Oban em 1969, suicidou-se no exílio na França em 1974.

A lista é longa.

É a esse tipo de problema que Heleno se refere?

A solução vai ser por aí?

A Constituição garante que “é livre a manifestação do pensamento”.

Mais: “A criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição”.

Isso não vale para todos, pelo jeito.

A partir de hoje, “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” é para evangélicos amigos de Jair e Michelle.

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