Na guerra dos sexos virtual, um novo aplicativo surge como resposta ao Lulu (e corre o risco de ser proibido)

Tubby

 

Depois da grande repercussão — e indignação — com o lançamento do Lulu, é a vez dos homens darem o troco. É essa a proposta dos empreendedores por trás do aplicativo  Tubby, a versão masculina do Lulu.

Tudo indica grandes lucros. Previsto para quarta-feira, dia 4, o lançamento teve que ser adiado para dia 6 por excesso de acessos. “Nosso sucesso foi enorme. Tivemos mais acessos que o esperado e muita divulgação. Isso significa que estamos investindo em uma estrutura de servidor que consiga atender a todos e finalizando nossa documentação legal”, afirma a mensagem na página do Facebook, que já tem cerca de 20 mil seguidores.

Houve outro problema: uma decisão do juiz da 15ª Vara Criminal de Belo Horizonte barrou o lançamento do aplicativo. O pedido foi acatado na vara especializada de Crimes Contra a Mulher. A advogada Fernanda Vieira de Oliveira, da Frente de Mulheres das Brigadas Populares, acredita que o app é uma forma de violência. Baseou-se na Lei Maria da Penha.

Se sair, o Tubby vai operar no mesmo sistema que o Lulu, distribuindo notas e hashtags com frases um tanto mais pesadas que seu congênere — como #curtetapas e #engoletudo. O slogan do aplicativo é: “Sua vez de descobrir se ela é boa de cama”. Segundo a advogada, é “agressivo”.

Mas a resposta ao Lulu veio também de outro flanco. O site LuluFake teve repercussão imediata. Nele, o usuário recebe avaliações positivas para melhorar sua nota e  sua imagem no Lulu, a troco de uma taxa de serviço. Há pacotes R$ 19,90, R$ 29,90 e R$ 69,90 que dão direito, respectivamente,  a uma, três e 12 avaliações positivas. Os pacotes têm classificações próprias, do tipo: “Pegador”, “Comedor”, “Alexandre Frota” e “Kid Bengala” e, para isso, o site declara ter uma “equipe” de 70 garotas, remuneradas para dar avaliações fajutas.

Até agora foram vendidos quase 1500 pacotes e o site LuluFake, em menos de um mês, teve 2 milhões de visualizações. São os mesmos criadores do NamoroFake, no qual jovens solitários e com baixa auto estima podem publicar em seu perfil, a troco de uma suave remuneração, lindas namoradas falsas.

Quem não anda gostando muito dessa história é o Ministério Público. A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor em Brasília instaurou inquérito civil público contra o aplicativo Lulu e o Facebook e quer saber que história é essa de usar dados pessoais sem a permissão de seus usuários.

Verdade que alguns homens e mulheres também não estão gostando nem um pouco desse mercado florescente da guerra dos sexos. Embora a prática de avaliar o desempenho e qualidade dos parceiros online possa ser uma evidência de que o sexo virou definitivamente uma mercadoria de consumo, muitos, homens e mulheres, encaram tudo isso como uma grande brincadeira, em que o principal objetivo é apenas se divertir. “Ninguém usa esses aplicativos para pegar ou deixar de pegar alguém. No final das contas, não rola nada. É só mais um passa tempo”, diz um usuário que tem perfil no Lulu e já se inscreveu no Tubby.

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