“Na mão grande”: a vitória de João Doria nas prévias do PSDB foi tudo, menos uma surpresa. Por José Cássio

Doria dá autógrafos na prévia do PSDB
Doria dá autógrafos na prévia do PSDB

 

A briga de torcidas entre simpatizantes de João Doria e Andrea Matarazzo na apuração dos votos na madrugada desta segunda-feira, 29, deu o tom de como serão as próximas três semana até 20 de março, quando os filiados do PSDB voltam às urnas para decidir, em segundo turno, quem será o representante do partido na eleição deste ano para prefeito de São Paulo.

Dos 27 mil filiados em condição de voto, 6.216 foram às urnas neste domingo. Destes, Dória recebeu 2.681 votos (43,13% do total), Matarazzo, 2.045 (32,89%) e Ricardo Tripoli 1.387 (22,31%). Um eleitor votou nulo e 102 em branco.

Eram quase duas da manhã quando o presidente do diretório municipal do PSDB, vereador Mário Covas Neto, anunciou o resultado, sem confirmar a homologação devido a problemas nas listas (Goro Hama, por exemplo, tucano histórico, teve de votar em separado, em cédula de papel, pois seu nome não constava entre os filiados do diretório de Santo Amaro) e em três urnas – Jaçanã, Pirituba e Tatuapé, onde um grupo armado invadiu o local de votação, agrediu a mesária, levou celulares e quebrou o computador.

Outro impedimento para a homologação do resultado é a tentativa de impugnação da candidatura de João Doria por Alberto Goldman, eleitor de Andrea Matarazzo, e José Aníbal, que apoiou Tripoli: acusam o publicitário de abuso de poder econômico e propaganda irregular por instalar cavaletes com sua foto, nome e número nos 58 locais de votação.

O pedido será analisado nesta semana. “Nós precisamos que o corpo jurídico do diretório faça uma análise sobre as consequências desse ato e a partir daí vamos tomar as providências”, disse Mário Covas Neto.

O clima começou a esquentar quando João Doria deixou a sala de apuração, acompanhado dos deputados federais Júlio Semeghini e Silvio Torres, e de Evandro Losacco, vice-presidente do partido.

Afirmou que lamenta que seus adversários estejam tentando ganhar as prévias no “tapetão” e alegou que todas as iniciativas da sua pré-campanha, inclusive oferecer transporte para os filiados, têm respaldo do departamento jurídico do partido. “O que está incomodando é que eles perceberam que o nosso trabalho de oito meses deu resultado”, disse.

Na sequência, Andrea Matarazzo deixou a sala. Irritado com a pergunta sobre tentar ganhar no tapetão, provocou Doria dizendo que ninguém iria ganhar é “na mão grande”.

Matarazzo seguiu para o elevador fortemente vaiado. Seus simpatizantes rebateram e só não houve pancadaria por intervenção de Semeghini.

Sobre o resultado deste primeiro turno, não se pode dizer que a vitória de João Doria foi uma surpresa.

O publicitário, que começou desacreditado por não ter participação na vida interna do PSDB, atropelou dois candidatos mais experientes e agora sai fortalecido para a disputa em 20 de março.

Internamente, o que de melhor se apura da vitória de Doria é que o comando do PSDB está prestes a passar às mãos do grupo do governador Geraldo Alckmin, cujo objetivo é ditar o ritmo do partido na principal capital do país, preparando o terreno para disputar com Aécio Neves a preferência na corrida presidencial de 2018.

Seu principal concorrente no estado, o senador José Serra, que aposta em Andrea Matarazzo, permanece em compasso de espera.

Se Andrea vencer, Serra mantém as chances de sonhar com a vaga do PSDB em 2018. Se perder, só vão lhe restar duas alternativas: cacifar-se para disputar novamente o governo do estado, na vaga de Alckmin, ou abraçar Marta Suplicy, Temer e seu amigo Renan Calheiros e arriscar mais uma tentativa de chegar ao Planalto, agora pelo PMDB.

A aposta é de que ele fica.

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