Na mira de Dino por emendas, Valdemar pede cautela com caciques políticos: “Representam muita gente”

Atualizado em 11 de julho de 2026 às 18:30
Valdemar Costa Neto
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Foto: Cristiano Mariz/O Globo

Valdemar Costa Neto afirmou que está disposto a conversar com Flávio Dino para explicar sua atuação na indicação de emendas parlamentares. Alvo de um bloqueio de R$ 119 milhões determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, o presidente do PL tenta sustentar que apenas apresentou sugestões a deputados, sem impor destinos nem controlar uma cota própria.

A defesa desloca o centro da investigação. Valdemar admite que indicava municípios e projetos aos parlamentares, mas afirma que as emendas eram “sérias”, foram executadas e não beneficiaram entidades suspeitas. A Polícia Federal, porém, investiga se servidores da Câmara montaram um arranjo informal para encaminhar 21 emendas atribuídas, na prática, ao dirigente, que não exerce mandato.

Durante a entrevista à CNN, Valdemar defendeu que políticos influentes deveriam ser chamados para prestar esclarecimentos antes de operações. Citou Ciro Nogueira e Jaques Wagner e argumentou que ambos “representam muita gente”. “Se está errado, toca o chumbo. Se não está errado, está tudo bem”, afirmou.

Não há exatamente uma mudança de discurso nesse ponto. Dias antes de ser atingido pela decisão, Valdemar já havia classificado como “exageradas” as operações contra Ciro e Jaques Wagner e dito que a PF poderia tê-los ouvido sem promover um “carnaval”.

O problema está no princípio defendido por ele: caciques partidários mereceriam uma espécie de audiência prévia por representarem deputados, partidos e aliados. É uma concepção conveniente de Justiça, na qual o peso político do investigado funcionaria como argumento para poupá-lo de medidas normalmente aplicadas a qualquer outro cidadão.

Valdemar também revelou que Hugo Motta telefonou preocupado com o caso e afirmou esperar alguma reação de Davi Alcolumbre no Senado. A declaração mostra que sua defesa não se limita ao campo jurídico: o dirigente busca transformar a investigação em uma crise entre o Congresso e o Supremo.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!