“Na UTI”: CEO da Casas Bahia diz que “2027 será pior”

Atualizado em 17 de agosto de 2026 às 17:57
Loja das Casas Bahia fechada. Foto: Reprodução

O presidente-executivo da Casas Bahia, Renato Franklin, afirmou nesta segunda (17) que a empresa trabalha com a previsão de um cenário econômico ainda mais difícil em 2027, após protocolar um pedido de recuperação judicial. A varejista decidiu fechar 298 lojas com base na expectativa de piora das condições de crédito para os consumidores.

“Não trabalhamos com melhora no cenário macro. Consideramos que 2027 será pior que 2026”, disse Franklin em conferência com analistas. Ele apontou o endividamento das famílias e o efeito futuro de medidas que sustentaram o consumo neste ano como fatores que podem deteriorar a oferta de crédito.

A Casas Bahia anunciou no fim de semana o pedido de recuperação judicial e o fechamento de cerca de 30% de sua rede física. As 298 unidades deixarão de operar como parte da reestruturação da companhia.

Franklin disse que a empresa realizou os cortes em uma “onda única”, para evitar novos ajustes e “não gerar ansiedade”. Segundo ele, a rede retirou de operação “todas as lojas que estavam na UTI”.

Renato Franklin, CEO da Casas Bahia. Foto: Reprodução

Empresa restringe financiamento e busca margem no comércio digital

O executivo declarou que a Casas Bahia adotou critérios cada vez mais restritivos para conceder financiamento aos clientes. A companhia prevê que o encarecimento ou a redução do crédito afetará o consumo, especialmente em segmentos de bens duráveis.

Na operação online, a varejista pretende priorizar a rentabilidade e diminuir vendas sem margem de lucro. Franklin classificou os marketplaces como “viabilizadores desse ajuste que estamos fazendo no mercado digital”.

No ano passado, a Casas Bahia fechou uma parceria com o Mercado Livre para reforçar sua presença no comércio eletrônico. Analistas do Citi avaliaram que a recuperação judicial da rede traz efeito marginalmente negativo para o Mercado Livre, mas pode melhorar o poder de negociação da plataforma com fornecedores.

O relatório do Citi também citou uma possível parceria futura entre o Mercado Livre e o Magazine Luiza no segmento de eletroeletrônicos, área em que a empresa brasileira mantém acordo comercial com a Amazon. Nesta segunda-feira (17), a Lojas Marabraz também informou que pediu recuperação judicial em São Paulo diante de dívidas de R$ 140 milhões.

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