Nabil Bonduki: “É nas cidades que se sentem mais fortemente os eventos extremos”

Relator do Plano Diretor de São Paulo, o urbanista participa do seminário Cidades, Clima e o Futuro do Brasil, que o DCM realiza com a FESPSP em 11 e 12 de novembro. Em live no canal, defendeu um próximo governo “mais ousado, com mais transformação” na política urbana.

Atualizado em 28 de outubro de 2026 às 11:02

 

O vereador Nabil Bonduki (PT-SP), um dos participantes do Seminário “Cidades, Clima e o Futuro do Brasil”. Reprodução

O urbanista Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e relator do Plano Diretor de São Paulo de 2014, será um dos debatedores do seminário “Cidades, Clima e o Futuro do Brasil”, que acontece nos dias 11 e 12 de novembro, na sede da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), na Vila Buarque. O evento é realizado pelo DCM, em parceria acadêmica com a instituição e com patrocínio do BNDES.

Em entrevista ao “Essencial”, do DCM TV,  na noite de terça-feira (27), Bonduki, que também é vereador do município de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores, destacou a urgência do debate sobre o futuro dos centros urbanos. “Esse seminário vai ser importante para que a gente possa discutir perspectivas para as cidades, considerando um novo governo”, afirmou. Segundo ele, é justamente nos espaços urbanos que os efeitos da crise climática são mais intensos. “É nas cidades, onde vivem 87% da população brasileira, que se sentem mais fortemente os eventos extremos que vêm acontecendo no país e no planeta.”

Da reconstrução à transformação

Responsável pela coordenação da área de cidades do programa de governo de Lula em 2022, Bonduki lembrou que o documento tinha como proposta a “reconstrução e transformação das cidades”. Na avaliação do urbanista, o terceiro mandato do presidente foi dedicado principalmente à recuperação de políticas públicas e programas abandonados. O desafio do quarto governo, afirmou, será avançar na segunda etapa e “transformar as nossas cidades em lugares bem habitáveis”.

Bonduki espera que o evento produza “contribuições significativas” para o próximo governo, que, em sua avaliação, precisa ser “diferente do último, mais ousado, com mais transformação”. Para o professor, a agenda urbana deve ocupar um lugar central nas políticas públicas, especialmente diante dos impactos das mudanças climáticas e das desigualdades sociais.

Entre as prioridades apontadas pelo urbanista está a mobilidade, que considera fundamental tanto para a agenda climática quanto para a inclusão social. Bonduki citou a proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana. Associada à adoção da jornada de trabalho de cinco dias, com dois de descanso, a medida permitiria ampliar o tempo dedicado “à cultura, ao lazer, ao cuidado com o corpo”, atividades diretamente relacionadas ao uso dos espaços públicos.

O professor também destacou a importância das eleições municipais de 2028, que considera “um teste importante para recuperar o protagonismo das cidades”. Segundo Bonduki, os municípios desempenham um papel fundamental na organização da sociedade e na implementação de políticas públicas, pois “dão capilaridade ao processo político no país”.

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São duas noites, das 19h às 22h, com quatro mesas de debate. Em 11 de novembro, a conta da adaptação aos eventos extremos e a relação entre plano diretor e clima, mesa em que Bonduki participa, às 20h45. Em 12 de novembro, o financiamento dessa agenda, com o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, e a governança metropolitana, com o professor Daniel Cara, da Faculdade de Educação da USP. Cada mesa reúne dois debatedores e um mediador do corpo docente da FESPSP.

O ponto de partida é uma simples constatação. A crise climática é global, mas a adaptação acontece na cidade, no plano diretor, no orçamento municipal e na coordenação entre prefeituras, Estado e União que as chuvas de cada verão põem à prova.

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