Naldo e o goleiro Bruno no país que ovaciona agressores de mulheres. Por Nathalí Macedo

Naldo recebe o carinho das fãs no camarim

Há algo de muito errado com um país que ovaciona agressores – embora a notícia de que há algo de muito errado com o Brasil corra desde 1500, mais ou menos.

O músico (?) Naldo Benny, denunciado pela ex-companheira por agressão e porte ilegal de arma de fogo, se livrou da cadeia em menos de uma hora e, no dia seguinte ao auê, lotou uma casa de shows.

Não é que o brasileiro tem memória curta: ele só não se importa, mesmo.

Ter armas de fogo em casa e dar umas porradas na esposa não é necessariamente algo capaz de manchar uma reputação, ou ao menos não se você for um homem.

Tampouco matar uma mulher, cortá-la em pedaços e servir aos cachorros é um problema: O goleiro Bruno, agora muito mais famoso do que antes – uma vez que se deu melhor na carreira de feminicida do que de goleiro – está de prova.

Eu nem precisaria ir tão longe, aliás. Bastaria citar o Bolsonaro: uma figura ímpar que encarna a misoginia em pessoa e nunca aprovou um projeto em sua vida política, que segue de vento em popa.

O brasileiro vota em apoiador da ditadura e aplaude – de pé – agressor de mulher. Vodka ou arma de fogo, pra a gente tanto faz.

A gente, vírgula: Eu não curto Naldo porque não curto música plástica e sem personalidade. Reparem: isso não tem a ver exatamente com moral.

A questão não é atrelar o gosto pessoal à moralidade, a questão é perceber o quão facilmente o feminicídio e a violência contra a mulher são não apenas naturalizados, mas incentivados, com casas de shows lotadas e selfies com máscaras de cachorro na saída do presídio – e isso não violenta apenas as vítimas, violenta a todas nós.

A sociedade brasileira não é omissa com relação à violência contra as mulheres: ela, com suas próprias mãos, a pratica.

Obrigado galera de astolfo Dutra MG ,#Naldobenny #show #camarim @naldobenny #ObrigadoDeus #familia #fãs

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