“Não cabe à Fiesp falar de política”: Skaf é a cara escarrada do desastre do golpe. Por Kiko Nogueira

O rei dos patos

 

No futuro — e eu me refiro a amanhã, mesmo —, cientistas estudarão as ruínas dessa república de bananas e verão imagens de milhares de otários em torno de um pato amarelo.

— Quem estava por trás do animal?, perguntará o doutor Jones.

— Um industrial sem indústria chamado Paulo Skaf, responderá a doutora Francesca.

Em entrevista ao Estadão, Skaf falou que “não cabe à Fiesp falar sobre renúncia de Presidente da República, mas defender a retomada do crescimento do País e soluções para os 15 milhões de pessoas que estão sem emprego. Cabe à Fiesp defender reformas estruturais para recuperar a competitividade”.

Lembrado pelo interlocutor de que no caso de Dilma era cabível falar em impeachment, veio com um duplo twist carpado falacioso: “Era uma situação diferente. Ela havia perdido completamente o controle do País”.

Ficamos combinados que Temer tem controle, mas de seus bandoleiros, na definição do jornalista português Miguel Sousa Tavares. 

Skaf está citado na Lava Jato. Marcelo Odebrecht contou que prometeu-lhe 6 milhões de reais. Como pagou menos, se dispôs a quitar dívidas da campanha de 2014.

Desde que seu nome apareceu no noticiário policial, sumiu misteriosamente. Ressurgiu agora, em toda a sua indigência, para fazer o que os trouxas que dançaram em torno de seu mascote estão fazendo: fingindo-se de mortos.

Há pouco tempo, a sede na Avenida Paulista tinha shows de raio laser, se coloria com os tons da bandeira do Brasil e distribuía bife para analfabetos funcionais acampados em frente — tudo em nome do fim da corrupção.

Em março de 2016, ele estava na capa da revista Istoé Dinheiro estrelando uma cascata intitulada “A reação dos empresários”.

“O impeachment de Dilma é a saída mais rápida da crise”, cravou. “Há confiança no Brasil, mas não há confiança no governo”.

Skaf é um pato de rapina da espécie dos oportunistas. Sempre que há cheiro de carniça, ele estará por perto.

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