“Não dá mais para empurrar com a barriga”: como foi a manifestação do MTST na Paulista

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Se a parcela direitista levou, de acordo com a PM, 2 500 pessoas à Paulista no mês passado, menos de duas semanas depois o MTST, acompanhado de centrais sindicais e movimentos sociais, derramou, ainda segundo a polícia, 10 mil manifestantes na mesma avenida.

O recado, entretanto, era de mão dupla. Se por um lado era voltado para dar o troco na ala que trouxe demandas esdrúxulas como intervenção militar ou impeachment de Dilma, e dizer que “não passarão” (e, de quebra, dançar um forró em plena alameda Jaú – no coração dos Jardins – em resposta contra o preconceito aos nordestinos), por outro lado era também uma pressão sobre o governo federal pelas reformas estruturantes que atendam aos gritos das ruas. A desejada e sonhada reforma política.

“O mínimo que se espera é ela (Dilma) realizar o programa de mudanças pelo qual foi eleita. Agora, é preocupante que os primeiros sinais da presidente não tenham sido esses. Passou a campanha inteira dizendo que Marina e Aécio iriam governar para banqueiros e cogita o presidente do Bradesco para o ministério da Fazenda?”, declarou Guilherme Boulos, líder do MTST.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, também não suavizou. “São duas bandeiras nesse ato. A primeira é contra a intransigência, contra o golpe que se quer aplicar, contra a proposta maluca de impeachment, contra a agenda conservadora que não fala da reforma da moradia, da reforma agrária, dos direitos dos trabalhadores”, disse.

“A segunda é para mostrar que a presidente Dilma se elegeu com esse povo aqui. Ela se elegeu para fazer reforma. Ela não se elegeu para depois vir o PSDB ou o mercado e dizer que tem que ter aumento de taxa de juros. O Brasil teve duas propostas e elegeu a proposta progressista, não a reacionária. Não vamos aceitar que os acordos com um congresso conservador levem em consideração a sanha do PMDB que quer mandar no governo.”

O Dia Nacional de Luta por Reformas Democráticas foi uma demonstração de que essa campanha ganhará força junto à população. “Só a sociedade irá fazer com que as reformas necessárias aconteçam”, disse Marcos Nobre, professor de Filosofia da Unicamp e pesquisador do Cebrap. “São as pessoas que precisam obrigar o sistema político a mudar, porque, por conta própria, ele não irá fazer isso”. Bem, lá estavam as pessoas. E não é de agora.

Um “plebiscito popular” (uma votação paralela que não teve a legitimidade de um plebiscito convocado pelo Congresso, como exige a Constituição) por uma Constituinte Exclusiva e Soberana sobre o Sistema Político já havia sido realizado entre os dias 1 e 7 de setembro e recolheu 7.754.436 votos em todo o país. Esperava coletar 10 milhões de votos mas ainda assim é um número expressivo. Esse resultado foi entregue oficialmente aos três poderes da República no dia 14 de outubro. Já são 500 entidades envolvidas na campanha que defende que o Congresso convoque uma Assembléia Constituinte para tratar exclusivamente da reforma política (a proposta é original do PT, PCdoB e de vários movimentos sociais). Um caldeirão imenso.

“Não dá mais para empurrar com a barriga. Ou o governo adota a pressão da direita, que é do mercado financeiro, dos setores conservadores que ganham com o status quo, que é da política neoliberal que a gente sabe muito bem o que significa ou o governo vai ter de enfrentar o desafio das reformas populares. É inadmissível depois do que foi junho de 2013 que a reforma política ainda não seja um tema que tenha maioria nos poderes políticos. É inadmissível depois do que a revista Veja fez nessa campanha eleitoral que não se consiga pautar a democratização nos meios de comunicação. É uma ilusão acreditar que o Congresso vá fazer reforma política, que vá acabar com financiamento privado de campanha. Não vai. Nós achamos que o plebiscito para a constituinte é o caminho mais viável para se pensar em reforma política no país”, disse Guilherme Boulos.

Ou seja, coxinhas à parte, é importante o governo estar atento ao lema do MTST. A luta é pra valer.

 

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