Não era só Aécio: a festa da Istoé reuniu Moro a uma seleção de políticos barra suja. Por Kiko Nogueira

Atualizado em 9 de dezembro de 2016 às 15:43
Gente diferenciada
Brasileiros do Ano

 

As cenas de Aécio e Moro confabulando animadamente acabaram roubando (sic), compreensivelmente, o protagonismo da festa da Istoé dos “Brasileiros do Ano”.

O megadelatado na Lava Jato, porém, não era o único enrolado na Justiça. A noite era um verdadeiro quem é quem da propinocracia — como gosta Dallagnol — brasileira.

Fazia sentido um magistrado estar presente no meio de tanta gente diferenciada?

Segundo o Código de Ética da Magistratura, o juiz “deve comportar-se na vida privada de modo a dignificar a função, cônscio de que o exercício da atividade jurisdicional impõe restrições e exigências pessoais distintas das acometidas aos cidadãos em geral”.

À exceção de Henrique Meirelles, a totalidade dos políticos que estavam na chamada tribuna de honra (duas fileiras de cadeiras no palco), está com a barra suja, citada na operação comandada pelos homens de Curitiba, principalmente.

Michel Temer, o grande homenageado, é acusado por Marcelo Odebrecht de ter recebido 10 milhões de reais em dinheiro de caixa dois para financiar o PMDB, que também apontou que seu braço direito Eliseu Padilha, da Casa Civil, ficou com  4 milhões (Padilha ficou em casa).

Executivos da empreiteira afirmam que o chanceler José Serra, um dos mais animados da festança, com seu charme transilvânio, teria levado 23 milhões de reais via caixa dois, entregues na Suíça.

Leonardo Picciani, ministro do Esporte, está envolvido numa denúncia uma funcionária da Carioca Engenharia, que teria pago propinas à uma empresa dele e de sua família apelando para “vacas superfaturadas”.

Roberto Freire, substituto de Marcelo Calero na pasta da Cultura, é uma das estrelas da famosa lista de propinas da Odebrecht surgida em março. Freire aparece como tendo embolsado 500 mil reais em 2012, ano em que não disputou as eleições.

O tucano Bruno Araújo, ministro da Cidades, aparecia nas planilhas do departamento de propina.

Araújo, que ficou famoso por  ter dado o voto 342 na sessão do impeachment de Dilma na Câmara, condecorou o diretor da Odebrecht Claudio Melo Filho, um dos principais delatores, com a Medalha do Mérito Legislativo em novembro de 2012.

Melo confirmou os repasses a ele.

Definitivamente, Ludmila, Grazi Massafera e Isaquias Queiroz não mereciam estar em tão má companhia.