Não existe mulher que gosta de apanhar. Mas delegado, existe. Por Nathalí Macedo

Delegado Waldir

A baixaria foi genelarizada: o Delegado Waldir – um dos líderes do partido e figura folclórica do bolsonarismo –  disse que “implodiria” o presidente, depois que seu mito tentou derrubá-lo pra favorecer Eduardo Bolsonaro. Frota saiu do partido e até posou pra foto com David Miranda e pediu ajuda a Pablo Vittar pra derrubar o presidente (?) Até Joice Hosselman disse que a inteligência emocional de Bozo é -20 (você jura, amada?!).

Então, não, não é só você que não está entendendo nada. Está cada vez mais difícil, mesmo.

Depois do circo armado, o Delegado Waldir – que a essa altura já fez qualquer acordo de seu interesse e desistiu da implosão – pôs panos quentes na situação: “foi um momento de emoção. É que nem mulher traída: apanha, mas volta”, disse, ao declarar que segue firme na carreira de lambe-botas do presidente.

Não me espantaria que um delegado bolsominion não tivesse conseguido formular uma metáfora melhor, mas a piada é tão infame que só me ocorre o seguinte: enquanto estivermos ocupados explicando que mulheres violentadas não permanecem em situação de violência porque querem, não perguntaremos o que afinal poderia implodir Bolsonaro (a gente sabe que a implosão é só uma questão de tempo, mas seria ótimo ver o serviço adiantado).

No fundo, gente como Waldir já conhece a nossa cantiga, mas não custa nada dizer – de novo e uma vez mais – que violência contra a mulher não é piada porque não tem graça.

Mulheres violentadas não permanecem ao lado de seus algozes por interesse, como é o caso do delegado em questão. Elas são impelidas a permanecerem sob violência por questões muito mais complexas, como dependência financeira e emocional, condicionamentos culturais  e desassistência do Estado.

A treta baixo nível do PSL não pode ser comparada nem por brincadeira com o drama real de uma mulher violentada, mas esse país nos desrespeita em tantos níveis que, sinceramente, isso é o mínimo.

Que metáfora poderia narrar um político borra-botas que ameaça a plenos pulmões “implodir o presidente” e em poucos dias põe o rabinho entre as pernas e arremata com uma piada machista?

Não existe metáfora possível, assim como não existe mulher que gosta de apanhar (mas delegado, existe).

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