Não há nada mais inútil que a patrulha para torcer contra seleção brasileira na Copa. Por Kiko Nogueira

A resistência a torcer pela seleção brasileira por todos os motivos conhecidos — da camiseta da CBF conspurcada pelos manifestoches ao salário de Neymar, passando pela Globo — cairá no apito inicial do jogo contra a Suíça.

Ninguém torce, de fato, pelo time canarinho.

Você torce pelo Corinthians, São Paulo, Flamengo, Remo, São Beto de Piracicaba, América, Juventos.

Mas, a cada Copa do Mundo, quem aprecia futebol se envolve com aqueles onze palhaços mimados e espera que eles façam o que são bem pagos para fazer.

Até porque não há alternativa. Argentina?

Por causa do amistoso suspenso em Israel?

Bem, sinto decepcionar os ingênuos, mas foi por razões de segurança, não pela Palestina. Os agentes jamais correriam o risco de ver explodir uma perna que vale milhões.

Os mercenários de lá não são diferentes dos daqui.

Politizar a disputa pode levar ao nonsense completo.

Durante o confronto entre Rússia e Arábia Saudita, ouvi de uma senhora que ela queria a derrota dos russos por causa da “ditadura do Putin”.

Ficou com uma monarquia cujo rei só autorizou mulheres a dirigir um carro em setembro — elas continuam, aliás, dependendo de um “guardião homem” para solicitar passaporte, abrir conta bancária e passar por intervenção médica.

A Copa reacende em nós uma de nossas atividades prediletas: a patrulha.

Muita saliva é gasta na internet com argumentos eventualmente inteligentes, mas inúteis.

Nunca se ouvirá falar de alguém que deixou de vibrar com um gol de Gabriel Jesus porque, por exemplo, Johnny Hooker lacrou num texto no Facebook detonando os “multimilionários” da bola.

Se for esse o argumento, sobra muito pouco.

Adeus carro, televisão, cinema, Netflix, celular, feijoada, roupa…

Também nunca se ouviu de alguém que passou a curtir Filipe Coutinho por causa de um artigo do Tostão.

Os milhares de otários que foram às ruas pelo golpe não são donos da bandeira, da camisa, do hino.

Por que você deveria deixar que eles se apropriassem disso?

A decisão de encher a cara e gritar com os playboys arregimentados por Tite é tão pessoal e intransferível quanto a de acreditar ou não na Virgem Maria, em Roberto Carlos ou em Galvão Bueno.

It’s only rock’n’roll, but I like it. Às vezes, um charuto é um charuto e uma partida de futebol é uma partida de futebol.

A mais importante dentre as coisas desimportantes.

E não vai ser agora que vão destruir isso.

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