“Não negociaremos com os EUA”, diz chefe de segurança do Irã após bravata de Trump

Atualizado em 2 de março de 2026 às 6:30
Ali Larijani, chefe de segurança do Irã. Foto: reprodução

O chefe de Segurança do Irã, Ali Larijani, afirmou nesta segunda-feira (2) que o país não pretende retomar negociações com os Estados Unidos, após ser alvo de ataques desde o sábado (28). A declaração desmente falas do presidente estadunidense Donald Trump, que havia indicado interesse da nova liderança iraniana em voltar ao diálogo após a morte de Ali Khamenei, líder do país persa.

Larijani negou publicamente que Teerã tenha buscado intermediários para iniciar conversas com Washington por meio de Omã. “Não negociaremos com os Estados Unidos”, escreveu em publicação na rede social X.

Em outra mensagem, ele criticou duramente o governo estadunidense e responsabilizou Trump pela crise atual. “Trump mergulhou a região no caos com suas ‘fantasias delirantes’ e agora teme mais baixas entre as tropas americanas”.

Post de Ali Larijani sobre Trump no X. Foto: Reprodução

O chefe de Segurança iraniano acrescentou que o presidente teria transformado o slogan “América Primeiro” em “Israel Primeiro”, afirmando que soldados estariam sendo sacrificados por interesses externos. “Hoje, a nação iraniana está se defendendo. As forças armadas do Irã não iniciaram a agressão”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Imagem: reprodução

Apesar da posição dura, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, sinalizou ao chanceler de Omã, Badr Albusaidi, que o país estaria aberto a “esforços sérios” para reduzir a tensão após os ataques israelenses e estadunidenses. Omã tem atuado como mediador histórico entre as duas nações nas negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Do lado estadunidense, Trump afirmou que a campanha militar continuará até que todos os objetivos sejam atingidos e prometeu retaliar a morte de três militares. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, ele fez um apelo direto às forças iranianas: “Eu faço um apelo à Guarda Revolucionária, aos militares do Irã, policiais: entreguem as suas armas e recebam total imunidade, ou encarem a morte certa.”

O presidente republicano também declarou ao jornal britânico Daily Mail que o conflito pode durar cerca de quatro semanas e disse que ainda está aberto a conversas, embora sem previsão para um encontro.

Os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel no último sábado deixaram mais de 500 mortos e centenas de feridos, segundo dados divulgados pela imprensa iraniana com base na rede Crescente Vermelho. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra Israel e atingiu bases militares estadunidenses no Oriente Médio, enquanto o Estreito de Ormuz foi fechado por motivos de segurança, afetando uma das principais rotas globais de petróleo.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a ofensiva eliminou comandantes da Guarda Revolucionária e integrantes do programa nuclear iraniano, prometendo novos ataques. Ele também pediu que a população iraniana se levante contra o regime. “Não percam a oportunidade. Esta é uma oportunidade que surge uma vez por geração”, declarou, acrescentando em inglês: “A ajuda chegou”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.