Não precisa seringa, nem vacina. Só o ‘show do agulhão”. Por Fernando Brito

 Alan Santos/PR

Originalmente publicado em TIJOLAÇO

Por Fernando Brito

Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou que o governo federal suspendeu a compra de seringas “até que os preços voltem à normalidade”.

E diz que não haverá problema porque “Estados e municípios têm estoques de seringas para o início das vacinações, já que a quantidade de vacinas num primeiro momento não é grande”.

E mostra, como prova de que isso é assim, um “tabela” de vacinas aplicadas, para mostrar que o percentual de vacinados sobre suas populações é baixo.

É e ontem aqui já se destacou isso, pela escassez de fornecimento de vacinas.

Não é o nosso caso.

O estoque de vacinas armazenado em São Paulo é de quase 11 milhões de doses e a Fiocruz, repetidamente, entregaria outros 30 milhões.

É claro que não vai faltar seringa para este primeiro momento.

Mas, para isso, terão de “queimar” os seus estoques normais e nem pensar em terem o suficiente para enfrentar o calendário regular de vacinação, infantil e adulta.

O que Jair Bolsonaro está fazendo é tomar uma atitude para “posar de durão”, que se recusa a pagar um centavo a mais numa seringa, embora esteja pagando vários centavos a mais por não tê-las comprado mais cedo e em lotes menores.

Pouco importa que os operadores de um plano de imunização que abarca um dos mais vastos países do mundo e uma população de 214 milhões de pessoas tenham de trabalhar com improvisos, correndo atrás dos insumos, suspendendo vacinações na metade do dia por falta de seringas…

Vacinar muito e rápido não é o que lhe importa.

Desde que ele possa mandar dar a primeira “espetada”, antes de João Doria fazê-lo.

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