“Não pretendo jamais disputar cargo eletivo”: Moro aprendeu rápido a ser um político como os outros. Por Kiko Nogueira

Moro: “Não pretendo jamais disputar um cargo eletivo”

Então ficamos combinados: Sergio Moro finge que fala a verdade e os brasileiros fingem que acreditam.

Nesta segunda-feira, dia 5, ele alegou que não descumpriu a promessa que fez de não ingressar na política.

“Não pretendo jamais disputar um cargo eletivo”, afirmou numa palestra em Curitiba.

“Eu sou um homem da lei. Também achei que minha participação poderia contribuir para afastar esses receios infundados”, completou, referindo-se às críticas de que seu chefe fará um governo autoritário.

Aceitou o convite para o Ministério da Justiça, conta, porque considera que poderá avançar em pautas anticorrupção e contra o “crime organizado”.

A sensação de déjà-vu é inevitável.

Em novembro de 2016, Moro deu uma entrevista ao Estadão que já entrou para os anais da demagogia nacional.

Repare que até os termos são parecidos.

“Sou um homem da Justiça e, sem qualquer demérito, não sou um homem da política”, cravou.

“Acho que a política é uma atividade importante, não tem nenhum demérito, muito pelo contrário, existe muito mérito em quem atua na política. Mas eu sou um juiz, eu estou em outra realidade, outro tipo de trabalho, outro perfil. Então, não existe jamais esse risco.”

Moro sempre foi político.

Ao negar o óbvio sobre suas ambições — a presidência em 2022 –, apenas reforça o quanto está à vontade em sua nova pele.

Pois é

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