“Não se argumenta com um tigre”: órgão dos EUA usa fala sobre Hitler para exaltar Trump

Atualizado em 26 de agosto de 2026 às 22:52
Donald Trump indiciou Raúl Castro por atentado contra um avião dos Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Patrick B. Ruddy/Casa Branca

O Departamento de Educação dos Estados Unidos havia publicado nesta quarta-feira (26) em perfis oficias nas redes, um vídeo de exaltação a Donald Trump que começa com uma cena de “O Destino de uma Nação”, filme sobre Winston Churchill durante a Segunda Guerra Mundial. O detalhe é que o trecho escolhido mostra o primeiro-ministro britânico rejeitando a ideia de negociar com Adolf Hitler.

Na sequência utilizada pelo órgão, Gary Oldman, que interpreta Churchill, dispara: “Você não pode argumentar com um tigre quando sua cabeça está na boca dele”. Assim que a frase termina, o vídeo corta para uma montagem de imagens de Trump em diferentes aparições públicas.

No filme de 2017, a frase aparece durante uma discussão sobre a possibilidade de o Reino Unido negociar condições de paz com a Alemanha nazista em 1940. Integrantes do gabinete argumentam que Hitler poderia ser razoável e que uma negociação evitaria uma derrota militar. O Churchill interpretado por Oldman reage perguntando quantos ditadores ainda precisariam ser cortejados e apaziguados antes que a lição fosse aprendida.

O vídeo aparece poucos dias depois de outra publicação incomum do Departamento de Educação. Na semana passada, o órgão divulgou uma imagem produzida por inteligência artificial para promover uma corrida em Washington com Trump, Linda McMahon e o secretário dos Transportes, Sean Duffy. A peça virou motivo de piada nas redes porque parte do público afirmou que as figuras geradas se pareciam com Hillary Clinton e Jeffrey Epstein.

O uso da conta institucional para promover a imagem do presidente ocorre enquanto a própria existência do Departamento de Educação é reduzida pelo governo Trump. Em março de 2025, o republicano determinou que McMahon tomasse as medidas legalmente possíveis para facilitar o fechamento da pasta e devolver funções aos estados. Em 2026, a administração continuou transferindo atribuições, inclusive áreas de educação especial e fiscalização de direitos civis, para outros departamentos federais.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!