“Não sou desertor”: Haddad explica a aliados decisão de disputar governo de SP

Atualizado em 10 de março de 2026 às 11:50
Lula e Fernando Haddad. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Fernando Haddad, atual ministro da Fazenda, afirmou a aliados que está pronto para enfrentar a difícil disputa eleitoral em São Paulo, segundo a coluna de Daniela Lima no UOL. Ele relembrou sua relação com o presidente Lula desde 2006, época em que era alvo de ameaças de impeachment da oposição e que as pesquisas apontavam dificuldades na busca pela reeleição.

À época, quando era ministro do Educação, ele foi chamado para uma conversa com Lula e afirmou: “Presidente, eu vou com você até o fim. Até o fim”. Agora, 20 anos depois, ele foi convocado para disputar o governo de São Paulo.

Ele tem um desafio maior deste vez: garantir a reeleição do presidente no maior colégio eleitoral do país. Embora o cenário pareça favorável para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Haddad foi designado para defender o PT e o nome de Lula em um estado onde a disputa tende a ser dura e polarizada.

Apesar de estar focado em sua atuação na Fazenda, Haddad estava relutante em entrar na disputa eleitoral. Ele preferia se concentrar em suas realizações econômicas e na produção de livros sobre ciência política, além de ficar com a família. “Ele está doido para os filhos começarem a entregar netos”, contou um aliado.

Lula e Haddad em 2006. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Quando Lula fez o convite, segundo pessoas próximos, Haddad não hesitou. “Não abro conversa com o presidente da República”, disse ele, mas, ao ser questionado sobre sua disposição para encarar a disputa, garantiu que não se afastaria da missão.

Questionado se está disposto a encarar uma das disputas mais difíceis da carreira, Haddad disse a aliados: “Eu não sou desertor”. O ministro queria atuar como formulador do programa de governo de Lula e ficar longe das urnas, mas não conseguiu rejeitar o convite de Lula.

“Ele queria deixar a corrida eleitoral de lado quando ela parecia estar muito bem ajustada para o Lula. Mas com o jogo apertado? Com a oposição no cangote e instabilidade política? Ele não vai deixar de fazer o que o presidente pedir para fazer”, contou um aliado.

Seu foco agora é manter o nível de votação que obteve em 2022, onde, embora tenha perdido para Tarcísio no interior de São Paulo, obteve uma vitória crucial na capital paulista, contribuindo para a vitória de Lula no segundo turno.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.