Não tem dinheiro? A saída é emitir dinheiro. Por Gilberto Maringoni

Notas de real. Foto: Pixabay/Creative Commons

Publicado originalmente no perfil do autor no Facebook

POR GILBERTO MARINGONI

NÃO TEM DINHEIRO? A SAÍDA É EMITIR DINHEIRO

Há poucos dias, o Boçal, da rampa do palácio do Planalto, ao ser perguntado sobre cortes orçamentários, respondeu:

“O Brasil inteiro está sem dinheiro. (…) Em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão. Os ministros estão apavorados. Estamos aqui tentando sobreviver no corrente ano. Não tem dinheiro e eu já sabia disso”.

O que Bolsonaro fala é uma gigantesca empulhação. O que deve fazer um governo quando se vê sem dinheiro?

Emitir.

Imprimir dinheiro.

Rodar a maquininha da Casa da Moeda.

É para isso que existe Banco Central.

País com moeda soberana, com gastos e dívidas em moeda soberana, com imensa capacidade ociosa, com um enorme exército industrial de reserva (desemprego batendo os 14%), tem de imprimir dinheiro para poder gastar. (Atenção: emissão é prerrogativa do Estado. Bancos privados nâo podem emitir através de mil e um subterfúgios, como usualmente ocorre).

Em uma economia com demanda reprimida, mercado interno em encolhimento e à beira de recessão, o risco inflacionário é mínimo. Um país não funciona como uma casa de família, como o Boçal e todos os políticos empulhadores tentam nos fazer crer. Famílias não emitem dinheiro. Países sim. Famílias têm pouca elasticidade no gasto. Países têm ampla elasticidade, determinam a taxa de juros de suas dívidas e precisam ter solvência no longo prazo.

A austeridade numa situação como a atual é completamente inútil. Austeridade pede sempre mais austeridade, numa espiral descendente sem fim. A saída é interromper o mergulho e crescer. É preciso crescer. É possível crescer para gerar emprego, renda e financiar serviços públicos.

Essa é uma decisão fundamentalmente política e não econômica. Essa é a decisão que Franklin Roosevelt tomou ao assumir o poder, em 1933, diante da grande depressão. Imprimiu dinheiro e expandiu o gasto (investimento) público. A crise só foi debelada quando o gasto atingiu seu auge, em 1940, num acelerado esforço de guerra.

Roosevelt seria chamado hoje pelo colunismo econômico pilantra de partidário da gastança.

Governantes em países capitalistas se dividem fundamentalmente entre Roosevelts e Hoovers. A referência é a Herbert Hoover, que governou os Estados Unidos de 1929 a 1933. No auge da depressão, o republicano tomou duas medidas de forma destrambelhada. A primeira foi não fazer nada para ver o que acontecia. A segunda foi iniciar uma política de cortes e redução orçamentária. O desastre foi espetacular.

Infelizmente, nos últimos anos tivemos no Brasil alguns Hoovers e nenhum Roosevelt.

P. S. Utilizei a imagem de “imprimir dinheiro” e “rodar a maquininha” para simplificar a ideia. Na verdade, o BC não precisa mandar produzir notas e moedas fisicamente, pois o grosso do numerário circulante é virtual. São meros registros eletrônicos feitos cotidianamente em computadores do BC e dos bancos.

(A partir de uma conversa com Antônio Martins, Artur Araújo e Diogo Fagundes)

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