Não tem mais bobo no futebol ou só tem bobo?

Pernas de pau
Pernas de pau

Ladies & Gentlemen:

The are no more fools on the pitch. (Nota da tradutora: “Não há mais bobo no futebol.) Boss me conta, entre Peronis no pub de Parsons Green, que os comentaristas esportivos chegaram àquela curiosa conclusão.

Se entendi, eles querem dizer que não existe mais seleção ruim. Numa Copa, isso significaria que uma seleção modesta como a da Argélia, por exemplo, pode bater uma Alemanha, uma Itália ou, até, um Brasil.

Retruco a Boss imediatamente, depois de ver quase todos os jogos: “Talvez seja o oposto. Talvez só haja bobos no futebol.”

Boss me pede que eu desenvolva minha tese. Digo a ele que nunca houve tanto dinheiro e tão pouco talento no futebol.

Os recursos tecnológicos da televisão dão a falsa impressão de que o futebol é muito melhor do que realmente é. Câmaras múltiplas, ângulos antes não alcançados dão ares de realidade a uma farsa.

Cito a Alemanha. Onde o Beckenbauer, ou o Gerd Mueller, ou o Overath? Cito o Brasil: onde o Pelé, o Gerson, o Rivellino? Cito até minha Inglaterra: onde o Bobby Charlton, o Bobby Moore?

Há um deserto no futebol, esta é a verdade. Havia, no passado, grandes craques em copiosa quantidade em todas as partes.

Hoje existe um e apenas um: Messi.

No futuro, estes tempos serão conhecidos como a Era do Dinheiro, em oposição à Era dos Gênios, de algumas décadas atrás.

Alguns jovens, em sua ignorância desumana, acham que o futebol de hoje é melhor que o do passado.

Dizem que viram vídeos de Pelé e outros jogadores remotos que provam que os jogos eram monótonos etc.

Ora, qualquer vídeo de futebol é entediante. A graça do espetáculo é vê-lo ao vivo. Pegue a melhor partida do ano e tente vê-la no dia seguinte: você vai sucumbir nos primeiros minutos.

Ladies & Gentlemen: qual o grande time desta Copa, aquele que entrará na história do futebol como a Hungria de 1954, a Inglaterra de 1966, o Brasil de 1970 e a Holanda de 1974?

Nenhum.

São todos bobos no futebol. Pense nisso.

É uma grande Copa, realmente. Mas não pela qualidade do futebol, mas pelas emoções de um futebol equilibrado por baixo. E também pela beleza natural do Brasil e por seus habitantes maravilhosamente acolhedores.

Sincerely.

Scott

Tradução: Erika Kazumi Nakamura

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Aos 53 anos, o jornalista inglês Scott Moore passou toda a sua vida adulta amargurado com o jejum do Manchester City, seu amado time, na Premier League. Para piorar o ressentimento, ele ainda precisou assistir ao rival United conquistando 12 títulos neste período de seca. Revigorado com a vitória dos Blues nesta temporada, depois de 44 anos na fila, Scott voltou a acreditar no futebol e agora traz sua paixão às páginas do Diário.