
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse nesta terça-feira que não vê irregularidade no pagamento de diárias de hotel em Lisboa, em junho de 2024, que a Polícia Federal atribui ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Ao responder a jornalistas, Motta afirmou ter tranquilidade sobre as apurações e classificou o encontro na capital portuguesa como um evento corporativo e jurídico. “Não vejo problema, é um evento corporativo, um encontro jurídico, que inclusive participei esse ano já como presidente da Câmara, então não vejo problema algum”, afirmou.
Segundo a investigação da PF, Vorcaro bancou suítes em um hotel de Lisboa para Motta e para o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP, durante a viagem realizada em junho de 2024. A apuração também localizou mensagens sobre reservas em um hotel de luxo para o banqueiro e para “Ciro e Hugo”.
PF cita mensagens sobre privacidade e lista de convidados em Lisboa
Durante a investigação, a PF encontrou uma troca de mensagens em que Vorcaro demonstrava preocupação com a exposição de eventos privados que promovia com integrantes da classe política. Em um dos encontros, ocorrido em Lisboa, ele orientou um funcionário a colocar seguranças para impedir a entrada de pessoas fora da chamada “lista dos homens”.
Na lista, Vorcaro anotou nomes de participantes com identificação: “Hugo Motta, [presidente da Câmara dos Deputados]; Ciro Nogueira, [senador e presidente do PP]; Luizinho [deputado federal]”. O relatório da PF destacou a “acentuada preocupação” do banqueiro com a privacidade do evento.
Em um áudio citado na apuração, Vorcaro afirmou que “pode ser o papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista”. A PF também identificou mensagens em que ele pediu a um funcionário para fazer reservas em um hotel de luxo em Lisboa em junho de 2024.
Motta disse não ter conhecimento de um suposto pedido de privacidade ligado à viagem. “Não me recordo do pedido de privacidade, não posso falar por aquilo que eu não fiz”, declarou. O presidente da Câmara evitou responder diretamente se sabia que as despesas teriam sido pagas por Vorcaro ou pelo Banco Master.
“Eu tenho muita tranquilidade com relação a isso. As investigações estão aí, os órgãos estão trabalhando e eu defendo que as apurações possam acontecer da maneira mais isenta e imparcial possível”, disse Motta. Ele acrescentou: “As investigações vão demonstrar sempre a minha conduta de forma correta, de forma responsável, como tem que ser o exercício da atividade parlamentar em nosso país”.