‘Não vi nada, não fiz nada errado’, diz Bill Clinton em depoimento sobre Jeffrey Epstein

Atualizado em 27 de fevereiro de 2026 às 16:59
O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton ao lado de Jeffrey Epstein. Foto: Divulgação

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, declarou nesta sexta-feira (27), em depoimento ao Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA, que “não viu nada” e “não fez nada de errado” em sua relação com o falecido criminoso sexual e bilionário Jeffrey Epstein. A declaração foi dada em uma sessão fechada, mas divulgada à imprensa.

Clinton afirmou que “não fazia ideia” dos crimes cometidos por Epstein, negando qualquer envolvimento com o caso. Ele explicou que, se soubesse de qualquer suspeita, jamais teria viajado no avião do pedófilo. O ex-presidente também destacou que, como alguém que cresceu em um lar com violência doméstica, não teria se associado a alguém como Epstein, caso soubesse das suas ações criminosas.

O depoimento ocorre em meio a um contexto mais amplo de investigações sobre Epstein, que foi acusado de crimes sexuais envolvendo menores de idade. Clinton, que apareceu nos arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça, foi mencionado por seu vínculo com Epstein em várias ocasiões, incluindo viagens no avião particular do ex-financiador. Embora esses registros existam, Clinton negou ter qualquer conhecimento de atividades ilegais.

Além disso, Clinton criticou o Comitê por convocar sua esposa, Hillary Clinton, para depor sobre o caso, defendendo que ela não tinha relação alguma com Epstein. Hillary também prestou depoimento na quinta-feira (27/02), onde reafirmou que não sabia de nada relacionado aos crimes de Epstein e considerou o processo uma “teatro político partidário”.

Fotos de Bill Clinton divulgadas pelo Departamento de Justiça nos arquivos relacionados a Jeffrey Epstein. Foto: Divulgação

Durante o depoimento de Hillary, ela classificou a sessão como uma tentativa de politização da investigação, enquanto Clinton comentou que ela não tinha envolvimento com Epstein. Ele também criticou as acusações de que sua família estava associada ao criminoso, considerando-as infundadas.

A investigação sobre Epstein começou em 2005, mas ele só se declarou culpado em 2008 por solicitação de prostituição envolvendo menores de idade. A controvérsia sobre sua morte e seus laços com figuras de poder ainda reverberam, com muitos questionando a extensão das conexões do ex-financiador.

Robert Garcia, membro democrata do Comitê de Supervisão da Câmara, afirmou que a convocação de um ex-presidente para depor estabelece um “novo precedente”, sugerindo que outros, como o ex-presidente Donald Trump, também deveriam ser convocados, já que seu nome também aparece nos arquivos de Epstein.