
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu a uma declaração grosseira e de caráter preconceituoso feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate presidencial da TV Globo, nesta sexta-feira (23). O candidato bolsonarista utilizou a deficiência física do adversário para atacá-lo, fazendo referência aos nove dedos de suas mãos. Lula respondeu à provocação chamando Flávio de “miliciano”.
“Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”, declarou Lula no segundo bloco do programa. A resposta ocorreu após Flávio recorrer a um comentário sobre a amputação sofrida pelo presidente para criticar a política econômica do governo.
A ofensa aconteceu no primeiro bloco, durante uma discussão sobre o salário mínimo. “Não adianta nada o salário mínimo ser de R$ 1.621 se você dá com uma mão e tira com os nove dedos!”, afirmou o senador. A frase introduziu uma referência depreciativa à condição física de Lula em um debate que deveria tratar das propostas dos candidatos.
Lula repudiou o comentário e lembrou que perdeu parte do dedo mínimo da mão esquerda enquanto trabalhava, ainda na juventude. O presidente deixou claro que não aceitaria ser desrespeitado por uma deficiência provocada por um acidente de trabalho. Diante da reação, Flávio Bolsonaro pediu desculpas.
O acidente aconteceu em 1964, quando Lula tinha 18 anos e trabalhava como torneiro mecânico em uma fábrica de parafusos em São Paulo. Uma prensa atingiu sua mão esquerda, esmagando o dedo mínimo, que precisou ser parcialmente amputado. O episódio ocorreu em um período marcado por condições precárias de segurança no ambiente industrial.
Lula massacra Flávio ao ser chamado de nove dedos “nunca trabalhou” #LulaNaGlobo pic.twitter.com/wQoHH2KKAr
— eplay (@forumeplay) October 24, 2026
A amputação faz parte da trajetória de Lula como trabalhador metalúrgico, antes de sua ascensão à liderança sindical no ABC paulista. Ao transformar essa característica física em instrumento de ataque político, Flávio fez um comentário que pode ser caracterizado como capacitista, por utilizar uma deficiência para ridicularizar o adversário.
A resposta de Lula também elevou a tensão do confronto. Ao chamar Flávio de “miliciano”, o presidente fez uma acusação política contra o senador, sem apresentar elementos que a comprovassem naquele momento do debate.
O episódio ocorreu no último encontro entre os candidatos antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22) apontou empate de 50% a 50% nos votos válidos, aumentando a importância do confronto televisivo na reta final da campanha.