Nasa retoma missão tripulada à Lua com primeira mulher e astronauta negro

Atualizado em 1 de janeiro de 2026 às 15:50
Tripulação da missão Artemis II. Foto: Divulgação

Mais de meio século após a última missão tripulada à Lua, a Nasa inicia 2026 preparando um novo marco da exploração espacial. A missão Artemis 2 será a primeira, em 54 anos, a levar astronautas além da órbita da Terra em direção ao satélite natural, retomando viagens ao espaço profundo após o encerramento do programa Apollo, em 1972.

Diferentemente das missões históricas que pousaram na superfície lunar, a Artemis 2 não prevê descida ao solo. O objetivo é realizar um sobrevoo tripulado da Lua, testando sistemas críticos de navegação, comunicação e sobrevivência antes das próximas etapas, que incluem o retorno de humanos à superfície lunar.

A tripulação será formada por três homens e uma mulher, marcando a primeira vez que uma astronauta participa de uma missão lunar. Segundo a Nasa, o comandante será Reid Wiseman, com Victor Glover como piloto e Christina Koch como especialista de missão, todos da agência americana.

O quarto integrante é Jeremy Hansen, especialista de missão da Agência Espacial Canadense. O voo também será histórico por ser o primeiro tripulado a utilizar o foguete Space Launch System e a cápsula Orion, desenvolvidos para missões de longa duração.

A agência espacial não divulgou uma data exata para o lançamento, mas afirma que a missão deve ocorrer até abril de 2026. A decolagem está prevista para o Centro Espacial Kennedy, na Flórida, com duração total estimada em cerca de dez dias.

Tripulação da missão Artemis II. Foto: Divulgação

Os dois primeiros dias serão dedicados à verificação dos sistemas da Orion em órbita terrestre. Em seguida, o módulo de serviço europeu fornecerá o impulso conhecido como “injeção translunar”, responsável por colocar a nave em trajetória rumo à Lua.

A viagem até o satélite levará aproximadamente quatro dias. Durante o trajeto, a nave passará pelo lado oculto da Lua e atingirá seu ponto mais distante a cerca de 7.400 quilômetros além do satélite, ficando a mais de 370 mil quilômetros da Terra, em uma rota descrita pela Nasa como em formato de “oito”.

Outro ponto central da missão é o uso da chamada trajetória de “livre retorno”, que aproveita o campo gravitacional da Terra e da Lua para trazer a cápsula de volta sem grande gasto de combustível. Segundo a agência, essa estratégia aumenta a segurança da tripulação em caso de falhas.

O encerramento da missão ocorrerá com a reentrada da Orion na atmosfera terrestre, em alta velocidade e temperatura, seguida de amerissagem no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, na Califórnia. O resgate será feito por equipes da Nasa e do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.