Nem Alckmin, nem Haddad: o último ato do MPL virou aula pública. Por Mauro Donato

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Ainda antes do sexto protesto ocorrido na terça-feira, durante a coletiva de imprensa, o Movimento Passe Livre havia anunciado que o próximo e sétimo ato seria uma reunião.

O movimento tinha protocolado convites para o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad oferecendo a oportunidade de explicarem o porque do aumento e qual a possibilidade, ou não, de revogação.

Nenhum dos dois respondeu nem compareceu. Segundo as agendas de ambos, para o horário marcado pelo MPL o prefeito tinha uma reunião com o secretário do Patrimônio da União, Guilherme Estrada Rodrigues, e o governador iria entregar a ‘Medalha Mário de Andrade’ ao desenhista Maurício de Sousa.

“Eles dizem sempre que estão abertos ao diálogo portanto foram convidados. A gente queria o diálogo na rua que é onde e com quem deve ser feito, junto com a população, não em salas fechadas”, declarou Luize Tavares do MPL.

O ato tornou-se então uma aula pública com vários ativistas e simpatizantes da causa se pronunciando. Inclusive Lúcio Gregori, ex-secretário de Transportes da gestão Luiza Erundina e um dos idealizadores do Projeto de Lei Tarifa Zero elaborado no início dos anos 1990 (pois é, o movimento que hoje é criticado por dez entre dez petistas defende uma pauta que nasceu, veja você, numa administração do PT).

“Tem uma conversa mole de que não há dinheiro, que faltará dinheiro para investimentos [se adotar a tarifa zero]. Mas não falta dinheiro para a PM né? Para ter gratuidade é preciso ter recursos. No Brasil, os ricos pagam poucos impostos”, disse Lúcio Gregori defendendo uma carga progressiva.

Com vários helicópteros sobrevoando a manifestação, Gregori apontou para o alto e ressaltou que essas aeronaves não pagam IPVA, por exemplo.

“E não importa se o ato está grande ou pequeno. O que importa é que a pauta continue em discussão. Vocês pautaram no Brasil a discussão sobre mobilidade e as formas de fazer essa luta. E vocês já tiveram uma vitória enorme porque no artigo 6º da Constituição do país hoje, o transporte é um direito social, tal como a saúde e a educação”, declarou para a platéia.

Os estudantes também marcaram presença. “Questionam a gente sobre que estamos fazendo aqui já que temos passe livre. Não é livre, é limitado e já já vamos deixar de ser estudantes e seremos trabalhadores, daí teremos que pagar esse abuso”, falou um dos porta-vozes.

Ao final, a emblemática queima de catracas e mais uma vez a tarde havia transcorrido tranquila até que na dispersão… adivinhem onde o caldo desandou? Estação Anhangabau do metrô. Não é mais coincidência, é proposital mesmo. Fecham os portões e atiçam o povo. Afinal de contas, a PM não pode ir dormir sem gastar um pouquinho de munição, não é mesmo?

 

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